Com o escritor, músico e compositor Zé Miguel Wisnik, 

com a participação especial da psicóloga Malvina Muszkat.

O episódio #12 do almasculina” traz uma conversa com o escritor, músico e compositor Zé Miguel Wisnik (@josemiguelwisnik). Ele fala sobre os “tipos” de homens, educação sexual e as fases da vida, paternidade, luto, música e literatura… Sempre relacionados à sua visão sobre as masculinidades.

A psicóloga Malvina Muszkat (@malvinamuszkat) é a nossa convidada no “Lugares Comuns”, quadro que dá voz a especialistas, gente que pesquisa e entende muito do assunto, explicando termos, conceitos e ampliando a nossa visão sobre tópicos mais específicos.

Ouça aqui o episódio na íntegra:

– Assista trechos inéditos da conversa com o escritor, músico e compositor Zé Miguel Wisnik no nosso canal no Youtube!

ASPAS

“Pequeno Manual Antirracista”, de Djamila Ribeiro

“Pessoas brancas não costumam pensar sobre o que significa pertencer a esse grupo – os brancos, pois o debate racial é sempre focado na negritude. A ausência ou a baixa incidência de pessoas negras em espaços de poder não costuma causar incômodo ou surpresa em pessoas brancas. (…) Os homens brancos são a maioria nos espaços de poder. Esse não é um lugar natural, foi construído a partir de processos de escravização. Alguém pode perguntar: ‘Mas e no caso dos homens brancos pobres ou homossexuais, que não necessariamente possuem todos esses privilégios sociais de homens brancos heterossexuais ricos?’. De fato, é sempre importante levar em consideração outras intersecções. Porém, o debate aqui é sobre uma estrutura de poder que confere privilégio racial a determinado grupo, criando mecanismos que perpetuam desigualdades. Nesse sentido, mulheres brancas são discriminadas por serem mulheres, mas privilegiadas por serem brancas. O mesmo ocorre com homens brancos homossexuais, que são discriminados pela orientação sexual, mas, racialmente falando, fazem parte do grupo hegemônico. Isso de alguma forma exclui as opressões que sofrem, mas o localizam socialmente no lugar da branquitude”. 

ESCUTA AQUI

Zé Miguel Wisnik indicou:

– As canções de Caetano Veloso e Gilberto Gil;

– Os filmes “O Feitiço do Tempo”, de Harold Ramis, disponível na HBO GO; e a “Trilogia da Incomunicabilidade”, do diretor italiano Michelangelo Antonioni: “A Aventura” (1960), “A Noite” (1961) e “O Eclipse” (1962); 

– Além do livro do escritor uruguaio Pedro Mairal, “A Uruguaia”.

Paulo Azevedo indicou o livro “O que move as paixões”, que parte de uma conversa dos autores Clóvis de Barros Filho e Luiz Felipe Pondé, mostrando como, desde a antiguidade, os afetos trazem inquietação aos filósofos – e o amor talvez seja a maior delas. Para Clóvis, “cada vez menos nos autorizamos a expor os nossos afetos, pois isso significaria expor, também, as nossas fragilidades. E revelar a própria fragilidade, só no último momento, em desespero de causa! Isso porque as pessoas estão muito dispostas a julgar e a condenar o comportamento do outro, fazendo com que os afetos sejam escondidos. A internet facilita esses julgamentos, principalmente nas redes sociais, nas quais todo mundo é mídia, mas também é possível haver experiências de amor. As redes sociais são formas de manifestação, de relacionamento e de produção de afeto que inexistiriam se elas não estivessem ali. Isso para o bem, quando a manifestação produz em nós algo positivo, como um aplauso, um reconhecimento, ou uma crítica para que melhoremos, nos aperfeiçoemos; isso para o mal, quando ela é destrutiva, lesiva, corrosiva etc”.

– E o filme Jojoh Rabbit” (já é um dos meus preferidos do ano!), que usa o humor para expor o fanatismo ao retratar a Segunda Guerra Mundial através dos olhos de um menino alemão (Roman Griffin Davis) que foi doutrinado pela juventude nazista. Ele fica consternado ao descobrir uma menina judia vivendo no sótão de sua casa. Estreou mundialmente no 44.º Festival Internacional de Cinema de Toronto, ano passado, no qual ganhou o prêmio da escolha do público. 

LUGARES COMUNS com a psicóloga Malvina Muszkat

Paulo Azevedo: “Quais são as atitudes ou as ações mais recorrentes e palpáveis pra quem está ouvindo a gente, reconhecer aquilo que castra estes afetos, que não deixa expressar vulnerabilidade, medo, fraqueza… pros homens?”

Malvina Muszkat: “Eu acho que vergonha, né? A vergonha que impede ele de ser autêntico. O medo de sair do modelo e ser criticado, quer dizer, isso foi o que eu aprendi com os homens. Eu tenho clientes que são gente que estudou, de classe alta, poder etc. Outro dia um cliente tava me dizendo que ele foi fechado no trânsito. E ele desceu do carro, assim, com uma primeira reação queria brigar etc. Depois ele pensou: ‘Ah, eu não quero arrumar uma briga aqui’. E pegou, fez um sinal pro cara, entrou no carro e virou e foi embora. Ficou se mortificando durante horas pra saber se ele foi macho ou se ele foi mariquinha, se mostrou fraqueza, se aquilo tava certo ou errado… Quer dizer, é um cara que tá em análise faz tempo, já entendeu muitas coisas sobre ele mesmo, mas no social, ele tem medo de não corresponder à imagem que esperam dele”. 

Paulo Azevedo: “E é engraçado que tudo que você fala, tanto no seu livro, quanto na nossa conversa, revela o homem com uma preocupação com o externo muito grande, né? Com o olhar do outro, como se a gente tivesse um big brother, um grande olho sobre nós…”

Malvina Muszkat: “Mas tem… Sempre tiveram. Todos temos, né? Esse big brother são os grupos de poder. Sempre tiveram aí, sempre tentaram nos enquadrar. Ninguém inventou essa história de ‘Adão e Eva’ do nada, né? Então, tinha uma intenção, a religião tem uma intenção. Como é que você domina uma população, um grupo? Tem que estabelecer regras. E quem estabelece essas regras? O mito é o maior formador de regras. Porque o mito não é apenas uma ordem; ele pega na alma. Ele te ameaça. Ele é um tabu”.


almasculina é feito por:

Idealização, produção, roteiro, edição e apresentação: Paulo Azevedo (@pauloazevedooficial)

Trilha sonora original, gravação e mixagem: Conrado Goys (@conza01)

Identidade visual e arte: Glaura Santos (@glaurasantos)

Fotos e registro em vídeo: Vitor Vieira (@vitorvieirafotografia)

Colaboração: Suacompanhia (@suacompanhiateatro)

Realização: Comcultura (www.comcultura.com.br)


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