Com o músico e compositor MARCELO JENECI, com a participação especial da psicóloga e sexóloga Ana Canosa.

O episódio #17 do almasculina” traz uma conversa com o músico e compositor Marcelo Jeneci (@marcelojeneci) fala sobre paternidade, afetos, música, sexualidade, aprendizados com a pandemia … Sempre relacionados à sua visão sobre as masculinidades.

A psicóloga e sexóloga Ana Canosa (@anacanosa) é a nossa convidada no “Lugares Comuns”, quadro que dá voz a especialistas, gente que pesquisa e entende muito do assunto, explicando termos, conceitos e ampliando a nossa visão sobre tópicos mais específicos.

Ouça aqui o episódio na íntegra:

– Assista à gravação na íntegra com o Marcelo Jeneci e o LUGARES COMUNS, com a Ana Canosa, no nosso canal no Youtube!

– Confira a nossa coluna semanal no nosso blog!

ASPAS

“O Amanhã Não Está À Venda”, de Ailton Krenak

“Fomos, durante muito tempo, embalados com a história de que somos a humanidade e nos alienamos desse organismo de que somos parte, a Terra, passando a pensar que ele é uma coisa e nós, outra: a Terra e a Humanidade. Eu não percebo que exista algo que não seja natureza. Tudo é natureza. O cosmos é natureza. Tudo em que eu consigo pensar é natureza. Nós, a humanidade, vamos viver em ambientes artificiais produzidos pelas grandes corporações, que são os donos da grana. Agora esse organismo, o vírus, parece ter se cansado da gente, parece querer se divorciar da gente como a humanidade quis se divorciar da natureza. Ele está querendo nos ‘desligar’, tirando o nosso oxigênio. Quando a Covid-19 ataca os pulmões, o doente precisa de um respirador, um aparelho para alimentação de oxigênio, senão ele morre. Quantas máquinas dessas vamos ter de fazer para 7 bilhões de pessoas no planeta?

A nossa mãe, a Terra, nos dá de graça o oxigênio, nos põe para dormir, nos desperta de manhã com o sol, deixa os pássaros cantar, as correntezas e as brisas se moverem, cria esse mundo maravilhoso para compartilhar, e o que a gente faz com ele? O que estamos vivendo pode ser a obra de uma mãe amorosa que decidiu fazer o filho calar a boca pelo menos por um instante. Não porque não goste dele, mas por querer lhe ensinar alguma coisa. ‘Filho, silêncio’. A Terra está falando isso para a humanidade. E ela é tão maravilhosa que não dá uma ordem. Ela simplesmente está pedindo: ‘Silêncio’. Esse é também o significado do recolhimento.

Quem dera eu pudesse fazer uma mágica para nos tirar desse confinamento, que pudesse fazer todos sentirem a chuva cair. É hora de contar histórias às nossas crianças, de explicar a elas que não devem ter medo. Não sou um pregador do apocalipse, o que tento é compartilhar a mensagem de um outro mundo possível. Para combater esse vírus, temos de ter primeiro cuidado e depois coragem.

Vemos algumas pessoas defenderem a manutenção da atividade econômica, dizendo que ‘alguns vão morrer’ e é inevitável. Esse tipo de abordagem afeta as pessoas que amam os idosos, que são avós, pais, filhos, irmãos. É uma declaração insensata, não tem sentido que alguém em sã consciência faça uma comunicação pública dizendo ‘alguns vão morrer’. É uma banalização da vida, mas também é uma banalização da palavra. (…)

Governos burros acham que a economia não pode parar. Mas a economia é uma atividade que os humanos inventaram e que depende de nós. Se os humanos estão em risco, qualquer atividade humana deixa de ter importância. Dizer que a economia é mais importante é como dizer que o navio importa mais que a tripulação. Coisa de quem acha que a vida é baseada em meritocracia e luta por poder. Não podemos pagar o preço que estamos pagando e seguir insistindo nos erros”.

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Marcelo Jeneci indicou:

– Livro “O Espírito da Intimidade – Ensinamentos Ancestrais Africanos Sobre Maneiras de Se Relacionar, de Sobonfu Somé (Ed. Odysseus):

Sobonfu Somé é uma mulher africana. Seu nome significa “A Mantenedora do Ritual”. Ela nasceu e foi criada em Burkina Faso, ex Volta Superior, na África Ocidental. Além disso, Sobonfu é membro iniciado da Tribo Dagara. Isso significa que foi ensinada pelos anciãos, que participou do ritual de iniciação tribal das mulheres e que passou pelos anos de orientação que seguem essa iniciação. Hoje Sobunfu e seu marido, Malidoma Somé, ensinam a ancestral sabedoria da sua tribo ao redor do mundo. Essa sabedoria inclui um item que costuma sempre interessar aos ocidentais: uma visão da intimidade. Mas a concepção de casamentos e relacionamentos que emerge de O Espírito da Intimidade, primeiro livro de Sobonfu Somé, é completamente diversa do que poderia se esperar. Na verdade, a palavra chave do título não é “intimidade”, mas “espírito”. Para a sabedoria de muitas gerações da Nação Dagara, que Sobonfu expressa, as relações não podem ser nada sem a intervenção do espírito. O Espírito da Intimidade afirma em suma que as questões do coração são iniciadas pelo espírito, que é a fonte para a qual a atenção deve se voltar para obter saúde e bem estar nos relacionamentos. O livro oferece assim uma perspectiva que ajuda a restaurar o contexto sagrado das relações. Ele convida a uma postura adulta – com os parceiros, as comunidades e o espírito – e desafia cada leitor a ser cada vez mais fiel a si mesmo.

– Música “Pai e Mãe (Álbum “Refazenda”), de Gilberto Gil;

– Paulo Azevedo indicou:

– Documentário “John e Yoko: Só o Céu Como Testemunha” (2018), de Michael Epstein (Netflix):

O filme se concentra no romance entre John Lennon e Yoko Ono, além de abordar a história não contada por trás de sua música clássica “Imagine e o álbum de mesmo nome, em 1971;

– Documentário “Uma Noite em 67” (2010), de Renato Terra e Ricardo Calil(Canal Brasil / Canal Curta / Vivo Play):

Resgate histórico do 3o. Festival de Música Popular Brasileira, em outubro de 1967. Entre os candidatos aos principais prêmios figuravam Chico Buarque de Holanda, Caetano Veloso, Gilberto Gil e Mutantes, Roberto Carlos, Edu Lobo, dentre outros. Com imagens de arquivo e apresentações de músicas hoje clássicas, o filme registra o momento do tropicalismo, os rachas artísticos e políticos na época da ditadura e a consagração de nomes que se tornaram ídolos.

– Série “Little Fires Everywhere” (Pequenos Incêndios Por Toda Parte / 2020 – Prime Video);

Minissérie de drama americana com oito episódios, baseada no romance com o mesmo nome de Celeste Ng. A série é protagonizada por Reese Witherspoon e Kerry Washington. Situada em Shaker Heights, Ohio no final dos anos 90, apresenta Witherspoon e Washington como mães de diferentes origens socioeconômicas para abordar questões como racismo, privilégios, entre outros temas da atualidade.

– Coluna do blog do almasculina #10: Qual é a sua fome?

“A minha fome é de matar a fome do outro”. Marcelo Jeneci, músico e compositor.

LUGARES COMUNS com a psicóloga e sexóloga Ana Canosa

Paulo Azevedo: “Ana, eu tenho uma pergunta um tanto quanto polêmica. Tirem as crianças da sala. Mitos do corpo: o ânus e o falo. Essa distância entre essas duas partes do corpo que estão tão próximas ali. Por quê?”

Ana Canosa: “Por conta da homofobia, né? Eu sempre vejo o masculino de um jeito, nessa questão, meio dual. Porque ao mesmo tempo que eu olho para os homens e eu sei, que eles sabem que eles gostam da estimulação anal, eles podem gostar; ao mesmo tempo isso não pode ser verbalizado e é verbalizado de maneira contrária. ‘Pelo amor de Deus, não põe o dedo aí’. Porque tem homens que eles incorporam a sexualidade no nível do prazer, a questão do prazer, que é isso mesmo, enfia o dedo mesmo, tá tudo bem. Eu não vou achar que eu sou homossexual porque eu gosto que bota o dedo no ânus, por exemplo. O domínio do prazer pra esse homem é de uma autonomia tão maravilhosa que isso não abala a sua identidade. Só que pela construção da masculinidade no negativo: ‘Você não pode ser mulher; você não pode ser gay; você não pode não sei o quê…”.

Paulo Azevedo: “Sem questionar de onde veio, né?”

Ana Canosa: “Cria-se uma grande dificuldade de lidar com determinadas partes do corpo. O pênis é questão. Tamanho do pênis sempre foi e continuará sendo. Por mais que você fale com uma cara: ‘Meu bem, olha só, o tamanho médio é tal… Você tá dentro do tamanho’. ‘Mas não. Num tô satisfeito’.

Paulo Azevedo: “Só pra saber, gente. Tamanho, a média brasileira é de 14 a 18 cm. E micropênis é abaixo de 7cm, não é isso, Ana?”

Ana Canosa: “Exatamente. O diâmetro do pênis é importante. Então, já é uma complicação. Homem tem uma questão difícil com o tamanho do pênis porque o pênis tem a representação fálica, do poder, né? Então, não é só um pênis. É um pênis que me traz simbolicamente vários privilégios. Se você pensar que a grande diferença entre um homem e uma mulher é a genital; se você nasce com vulva e vagina você não pode nada. Ou não podia nada. Nasce com pênis pode tudo. Olha a importância do falo. O falo é um significado social que se atribui ao pênis. Então, nascer com um pênis é símbolo de poder, querer, de ser ambicioso e todas aquelas características que a gente já está mega acostumados sobre a masculinidade tóxica, inclusive. Agora, por outro lado, eu gosto do jeito que os homens gostam dos pênis deles. Eu acho que os homens se divertem com o pinto”.

Paulo Azevedo: “Com culpa e sofrimento ou não mais?”

Ana Canosa: “Não, não mais. Porque homem não tem tanta culpa e sofrimento. Culpa e sofrimento se ele gostar de uma relação com outro homem. Aí, eu acho que entra no campo da culpa e do sofrimento. Mas os homens gostam do pênis. Eles podem ter dificuldade se acham que o pênis é menor ou não é, se tem ejaculação precoce… Aí já tem um pouco mais de vergonha do controle ejaculatório. Se tem disfunção erétil é pior… Mas, eu acho que os homens se divertem. Eu acho que as mulheres tinham que se divertir com as vulvas como os homens se divertem com os pênis deles. Porque também são muito expostos, esses que não se sentem adequados é que vão sofrer. Acham que tem um pênis menor etc etc. Mas eu acho que os homens se divertem”.  

almasculina é feito por:

Idealização, roteiro, edição e apresentação: Paulo Azevedo (@pauloazevedooficial)

Trilha sonora original, e mixagem: Conrado Goys (@conza01).

Identidade visual e arte: Glaura Santos (@glaurasantos).

Fotos: Vitor Vieira (@vitorvieirafotografia).

Realização: Comcultura.

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