Com o psiquiatra, neurocientista e escritor Diogo Lara e a participação especial da psicóloga e sexóloga Ana Canosa.

O episódio #22 do almasculina” traz uma conversa com o psiquiatra, neurocientista e escritor Diogo Lara (@diogolaraoficial e @cinguloapp) fala sobre sexualidade, terapia, neurociência, afetividades… Sempre relacionados à sua visão sobre as masculinidades.

A psicóloga e sexóloga Ana Canosa (@anacanosa) é a nossa convidada no “Lugares Comuns”, quadro que dá voz a especialistas, gente que pesquisa e entende muito do assunto, explicando termos, conceitos e ampliando a nossa visão sobre tópicos mais específicos.

Ouça aqui o episódio na íntegra:

– Assista à gravação na íntegra e o LUGARES COMUNS, com a Ana Canosa, no nosso canal no Youtube!

– Confira a nossa coluna quinzenal no nosso blog!

ASPAS

“Imersão”, de Diogo Lara

“A autoestima é o pilar central da personalidade. Por isso, é tão necessária para uma vida que valha a pena ser vivida, assim como a coluna vertebral é necessária para ficarmos em pé. Sobre a autoestima, apoiam-se várias outras características da personalidade. A percepção de nós mesmos permeia praticamente todas as nossas reações e os nossos comportamentos. Se interpretamos algo como contra ou a favor do que acreditamos, como uma ameaça ou uma oportunidade, essa interpretação parte automaticamente da noção de “eu” que carregamos. Isso se dá em uma fração de segundo e de forma inconsciente na maioria das vezes. Portanto, não é de surpreender que uma autoestima inadequada esteja ligada às más escolhas nas relações afetivas, a uma carreira que não deslancha, a projetos idealizados que de alguma forma são sabotados, ou a uma dificuldade de desfrutar dos êxitos. Uma das coisas mais práticas para a saúde emocional é reforça-la, pois os efeitos positivos se alastram nas mais diversas áreas da vida. Sua presença não garante felicidade, contudo sua falta está sempre ligada a algum grau de mal-estar e frustração.

A autoestima fortalecida confere resiliência, força e maior capacidade de regeneração. As pauladas da vida terão que ser bem maiores para nos derrubar. Como não temos controle total sobre os eventos – amanhã pode acontecer de sermos atropelados, demitidos, ofendidos publicamente ou deixados pela pessoa amada -, estamos, pelo menos, mais bem equipados para lidar com os desafios que surgirem”.

ESCUTA AQUI

Diogo Lara indicou:

Livro “Imersão”, de Diogo Lara:

Aos 36 anos,  Amanda se achava uma mulher bem-resolvida. Com a carreira estabelecida como médica endocrinologista, se preparava para dar uma pausa no trabalho e engravidar quando descobriu a traição do marido. Depois de um ano de terapia e tratamento com antidepressivos, continuava abalada e cada vez menos esperançosa. Decidida a tomar um rumo radical, Amanda parte para um seminário intensivo em um castelo na Escócia que promete revolucionar o modo de se relacionar consigo mesma.É neste cenário que ela conhece Mike, um terapeuta que utiliza técnicas inovadoras para curar traumas, resolver dramas internos e proporcionar uma viagem de autodescoberta. Após seis dias de imersão, ninguém sairá o mesmo – inclusive o leitor que decidir mergulhar na história e se entregar a essa proposta inovadora de processo terapêutico com uma narrativa literária como pano de fundo.

Livro O Poder do Mito”, de Joseph Campbell com Bill Moyers:

O poder do mito’ é o fruto de uma série de conversas mantidas entre Joseph Campbell e o jornalista Bill Moyers, numa combinação de sabedoria e humor. O casamento, os nascimentos virginais, a trajetória do herói, o sacrifício ritual e até os personagens heróicos do filme ‘Guerra nas estrelas’ são abordados nesta obra.

Livro The New Alpha Male – How to Win the Game When the Rules Are Changing, de Lance Allred;

Filme “Um Lindo Dia na Vizinhança” (2019), de Marielle Heller:

Fred Rogers (Tom Hanks) foi o criador do Mister Rogers’ Neighborhood, um programa infantil de TV muito popular na década de 1960, nos Estados Unidos. Em 1998, Tom Junod (Matthew Rhys), até então um cínico jornalista investigativo, aceitou escrever o perfil de Rogers para a revista Esquire. Durante as entrevistas para a materia, Junod mudou não só sua visão em relação ao seu entrevistado como também sua visão de mundo, iniciando uma inspiradora amizade com o apresentador. Disponível no Looke, GooglePlay e AppleTV.

Paulo Azevedo indicou os filmes:

“Querido Menino” (“Beautiful Boy” – 2018), de Felix Van Groeningen:

David Sheff (Steve Carell) é um conceituado jornalista e escritor que vive com a segunda esposa e os filhos. O filho mais velho, Nic Sheff (Timothée Chalamet), é viciado em metanfetamina e abala completamente a rotina da família e daquele lar. David tenta entender o que acontece com o filho, que teve uma infância de carinho e suporte, ao mesmo tempo em que estuda a droga e sua dependência. Nic, por sua vez, passa por diversos ciclos da vida de um dependente químico, lutando para se recuperar, mas volta e meia se entregando ao vício. Disponível no Prime Video, HBO GO e GooglePLay.

“O Menino Que Fazia Rir” (2019), de Caroline Link:

A infância do famoso humorista Hape Kerkeling é cheia de humor, mas ao mesmo tempo é marcada por experiências dolorosas e traumáticas na República Federal Alemã das décadas de 1960 e 1970. Desde tenra idade, ele tenta entreter seus companheiros com paródias engraçadas após o suicídio de sua mãe.

Disponível no Looke, Apple TV e GooglePLay.

Boyhood – Da Infância a Juventude” (2014), de Richard Linklater:

Acompanhe a vida do garoto Mason durante um período de doze anos, da infância à juventude, analisando seu relacionamento com os pais, suas descobertas, experiências e seus conflitos. Oscar de Melhor Filme de 2015, entre outras categorias e premiações. Disponível no Prime Video, Looke, Telecine, Apple TV e GooglePLay.

“Beleza Oculta” (2017), de David Frankel:

Após uma tragédia pessoal, Howard (Will Smith) entra em depressão e passa a escrever cartas para a Morte, o Tempo e o Amor – algo que preocupa seus amigos. Mas o que parece impossível, se torna realidade quando essas três partes do universo decidem responder. Morte (Helen Mirren), Tempo (Jacob Latimore) e Amor (Keira Knightley) vão tentar ensinar o valor da vida para o protagonista. Disponível na Netflix, Youtube e no Looke.

LUGARES COMUNS com a psicóloga e sexóloga Ana Canosa

Ana Canosa: “Imagina você….pra você o sexo tem um significado, transar com seu parceiro ou sua parceira, é mais do que gozar, é afeto, é se sentir amado isso pra você é uma dimensão da vida importantíssima, não é só trepar e gozar, é mais que isso, é fazer isso com seu amor, com a pessoa que você escolheu pra tá do seu lado, convivendo com você, isso pra você tem uma dimensão muito maior”.

Paulo Azevedo: “Não é só melhorar as estatísticas do Brasil que dizem que as pessoas estão transando 3 vezes por mês”.

Ana Canosa: “Aí a outra pessoa quer dormir e não quer mais transar como estava transando e acolher você nessa dimensão o tempo todo, só domingo de manhã e vamos tentar lidar com isso, mas também o discurso tipo assim eu não quero foda-se você, também não é legal então, às vezes, por exemplo, nas relações heterossexuais, especificamente, agora eu vou caminhar pela relação hetero por um tipo de movimento as mulheres agora descobriram este direito que é legitimo de dizer não, o corpo é meu. Eu não preciso transar com você, porque você me tem, porque esse corpo não é seu, é meu”.

Paulo Azevedo: “Não é não”.

Ana Canosa: “Não é não…é minha relação, meu corpo, certo, eu preciso gostar, eu tenho direito de desejar, direito de querer, perfeito isso é legítimo. Só que também é legitimo o parceiro querer. Isso não pode ser encarado e esse é que é o problema, uma hora nas relações que isso acontece não pode ser encarado como você só quer trepar eu tive uma sessão no consultório uma vez, um casal ficou muito, muito claro, assim tipicamente é o que acontece com muitos casais, no começo da relação transaram muito   diminuiu foi ao longo do tempo e o sexo pra ela não era uma coisa prioritária, na verdade nem gostava tanto de sexo só que como ela estava apaixonada por ele, ela transou mais. E ele amava sexo. Ela começou a recusar, vida cotidiana, ele começou a ficar mais ansioso, ele pressionou mais, ela começou a se defender mais. Pressão não funciona, pra homem, pra mulher, trans, não funciona”.

Paulo Azevedo: “Jogo de xadrez”.

Ana Canosa: “Pressão não funciona; então começou a ter aquele distanciamento. Distanciamento, distanciamento e eles eram muito queridos um com o outro, muito respeitosos, um dia nessa ânsia dele “o que está acontecendo que você não quer transar comigo? ” e ela meio puta:”meu vai arrumar uma puta, vai transar, deixa de me encher o saco!” Não era habitual esse tipo de falas deles, eram respeitoso, mas ela de saco cheio…isso não aconteceu quando eles estavam comigo, isso eles me contaram numa sessão. Ele me contou que ela falou isso e que ele ficou profundamente magoado…”.

Paulo Azevedo: “Os dois juntos ali”.

Ana Canosa: “Isso os dois juntos a gente tentando trabalhar essa sexualidade, a ela falou que estava muito chateada, você me desculpe…não era isso …beleza…passou, passou…esse mesmo homem chega, daí eu estava presente e disse acho que você não me ama. Ela falou, como eu não te amo? Cara eu faço tudo pra você. Olha eu faço sua mala só porque eu sei que você não gosta de fazer eu faço isso, eu faço aquilo eu faço a comida não sei o que, ela também trabalhava, não era uma questão de posição de submissão. Deixando bem claro, assim. Era somente porque ela gostava de fazer certas coisas por ele. Ela foi falando a lista do que fazia. Ele respondeu…pra isso eu contrato uma empregada. (Silêncio) eu entendo ele e entendo ela. Quando ele diz que pra isso eu contrato uma empregada, ele está dizendo pra ela que esse tipo de manifestação de amor por serviços, não é o tipo de amor que eu preciso. Então isso aí, a gente resolve com uma empregada. O tipo de manifestação de amor dele, é o sexo. Que ela mandou ele catar com a puta. Ao mesmo tempo que ele deslegitima o tipo de amor dela. Quando ela diz vai transar com uma puta, você só quer saber de trepar, ela deslegitima a maneira como aquele homem especificamente sabia amar, ele sabia amar fazendo sexo. E ela não, ela não amava através do toque, ela amava através do fazer coisas. Eu tô falando isso, porque quando as relações se desajustam nos ritmos de desejo é muito importante a gente entender o que é o sexo pra você. E o quanto importante tem o significado na nossa manifestação afetiva, porque na hora que você parar de me desejar, é foda…todo mundo gosta de ser desejado. Isso abala sua estrutura, sua autoestima, e às vezes todas essa requisição afetiva, que às vezes as mulheres (entre aspas) vou usar aqui as mulheres que reclamam, que saco, você fica aqui com esse pinto, amiga, quando ele fizer 80 anos, não vai mais, aproveita, não pode fazer a leitura disso só no masculino, não pode …só no toque no dar beijo, trepar, gente! Não pode, porque para esse homem, pode não ser só isso, ele é o seu parceiro, não pode tratar desse jeito. A dimensão sexual é de suma importância, às vezes pro indivíduo, profunda, pra outros não é, tudo bem, não tem problema não transar, tem gente que é assexual…não tem essa necessidade, mas não pode tratar isso com essa frivolidade. Nem cair nesse lugar comum, todo homem só quer saber de sexo…não, às vezes os homens amam através do sexo”.

Paulo Azevedo: “Isso, sei…”.

Ana Canosa: “Eu tô falando tudo isso, porque olha só a gente tá, tem três homens aqui, com significados, da penetração da sexualidade diferentes”.

Paulo Azevedo: “Olha o quanto que a subjetividade é complexa, porque eu acho que toda vez que fala de sexo, de sexualidade, não dá pra generalizar tanto…”.

Ana Canosa: “Então, quando vem um cara aqui e fala, é presa, é impulso, é animal, eu vou olhar para ele e dizer nossa, que coisa horrorosa, você é macho, não sei o que, não sei o que, não…porque é presa, o animal o impulso, fazem parte do sexo. E mulheres podem ser assim também. Como o afeto o sentir, o precisar da conexão é outra esfera, o que eu tô falando pras pessoas entenderem é que essas masculinidades são muito plurais e pra não fazerem leituras tortas equivocadas e reducionistas dos parceiros…porque as pessoas fazem leituras tortas, equivocadas e reducionistas porque os homens têm mais dificuldade de expressar o que eles sentem em relação ao sexo”.

Paulo Azevedo: “Anterior, precisam saber, primeiro o que é pra depois expressar”.

Ana Canosa: “O silêncio masculino sobre seu comportamento sexual é muito ruim. Porque deixa o parceiro e a parceira completamente sem saber o que está acontecendo. A ponto de fazer a leitura que quiser…sabe, é uma sacanagem! O cara ser lido dessa maneira, ok, tem homens que são assim”.

Paulo Azevedo: “É um pensamento binário, né?”

Ana Canosa: “É.… É…”.

Paulo Azevedo: “Voltamos ao pensamento binário de que o homem é assim, a mulher é assim, ou o homem está assim, a mulher está assim…de que ele está assim, ela está assim”.

Ana Canosa: “Tem uma diferença muito grande entre servir o homem e o fazer sexo por amor.eu acho que a gente faz sexo por amor, não vejo nenhum problema nisso”.

Paulo Azevedo: “E os homens estão descobrindo esse lugar também, né, Ana”.

Ana Canosa: “Tão, mas eu faço, faço porque eu amo o outro, isso dá prazer ao meu parceiro, isso me alegra, eu faço com alegria, então a gente precisa começar a desconstruir essas frasezinhas, que ele não vale nada, ele não quer, ah, ela não faz nada”.

Paulo Azevedo: “Ele não quer”.

Ana Canosa: “Ela não quer…é isso, duas pessoas, duas autonomias diferentes, com desejos diferentes, ciclos de vida diferentes, momentos na vida diferentes, se a gente não começar a tentar a chegar num consenso, uma resposta, as pessoas vão ser muito insatisfeitas, e estão”.

almasculina é feito por:

Idealização, roteiro, edição e apresentação: Paulo Azevedo (@pauloazevedooficial)

Trilha sonora original, e mixagem: Conrado Goys (@conza01)

Identidade visual e arte: Glaura Santos (@glaurasantos)

Fotos: Vitor Vieira (@vitorvieirafotografia)

Realização: Comcultura.

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