Neste mês, enquanto retomamos o fôlego para a nova temporada, teremos episódios semanais com os melhores momentos de 2020, divididos em quatro partes. No mínimo, você vai conhecer um pouco de tudo que vivenciamos juntos ano passado nessa breve retrospectiva. E, quem sabe, querer escutar os episódios na íntegra que ainda não ouviu ou relembrar aqueles que mais curtiu!

Nesta terceira parte, você confere a seleção de alguns do melhores momentos das conversas com os nossos convidados dos episódios #20 ao #24 com os jovens FERNANDO SVERNER, MATHEUS ANGEL e TOMÁS NOVAES, MÁRCIA BRANDÃO, DIOGO LARA, EDUARDO MOREIRA e KEN FUJIOKA.

E relembramos também a participação do professor e pesquisador FÁBIO MARIANO DA SILVA é o nosso convidado no “Lugares Comuns”, quadro que dá voz a especialistas, gente que pesquisa e entende muito do assunto, explicando termos, conceitos e ampliando a nossa visão sobre tópicos mais específicos. Não perca!

Ouça aqui o episódio na íntegra:

ASPAS

– “Políticas do Sexo”, de Gayle Rubin

“Para alguns, a sexualidade pode parecer um tema sem importância, uma dispersão frívola de problemas mais graves, como pobreza, guerra, doença, racismo, fome e destruição nuclear. Mas é justamente em épocas como esta, quando vivemos com a possibilidade de enfrentar uma aniquilação inimaginável, que as pessoas tendem a sair perigosamente dos eixos no que diz respeito à sexualidade. Os conflitos contemporâneos ligados a valores sexuais e condutas eróticas têm muito em comum com disputas religiosas de séculos anteriores. Eles adquirem imenso peso simbólico. As discussões relacionadas ao comportamento sexual muitas vezes se tornam um veículo para deslocar angústias sociais e descarregar as intensidades emocionais concomitantes a elas. Consequentemente, a sexualidade deveria ser tratada com especial cuidado em tempos de grande estresse social.

O domínio da sexualidade também tem uma política interna, desigualdades e modos de opressão próprios. Assim como acontece com outros aspectos do comportamento humano, as formas institucionais concretas da sexualidade em determinado tempo e lugar são produto da atividade humana. Elas são permeadas por conflitos de interesse e manobras políticas, tanto deliberadas quanto incidentais. Nesse sentido, o sexo é sempre político. Mas há também períodos históricos em que as discussões sobre a sexualidade são mais claramente controvertidas e mais abertamente politizadas. Nesses períodos, o domínio da vida erótica é com efeito renegociado”.

LUGARES COMUNS com o Fábio Mariano da Silva sobre “O porquê discutir sobre as masculinidades”.

Paulo Azevedo: “Por que é importante discutir as masculinidades? ”

Fábio Mariano da Silva: “As masculinidades…elas são um tema relativamente novo, digo, né, e porque que é novo, porque até então, a gente discutido ou falado em torno de um homem universal ou a gente tem discutido ou falado da perspectiva de um único modelo do que é ser homem, aquele modelo viril, competitivo, combativo, lutador, assim por diante, porque essa é uma ideia que da perspectiva histórica foi passada. Mas novas demandas políticas foram aparecendo e novos sujeitos foram se incorporando às lutas pelos direitos civis, por direitos de cidadania. E essas figuras são representadas por figuras de um modelo contra hegemônico, digamos, porque é um modelo das dissidências, da subalternidade que começam a falar, quando a gente fala de masculinidades, a gente tá  falando de vários outros modelos, que são modelos em torno do homem gay, homem trans, homem gordo, homem negro, homem asiático, assim por diante, ou seja, nós rompemos ou estamos tentando romper uma barreira que se dá em torno de um padrão ou de um modelo universal pra mostrar as várias possibilidades que saiam dessa caixa, várias sexualidades, vários modelos, vários homens que vão reivindicando pra si direitos, que são direitos de cidadania. Quando a gente fala desse modelo, também, é sempre importante pensar que esse homem que a gente conhece hoje, é aquele homem que existia há muitos e muitos anos, séculos, digamos, eu sempre costumo falar isso nas minhas aulas. Esse homem que foi forjado na Revolução Francesa, como ideal de racionalidade, pensamento, de inteligência, e assim por diante, é um homem que foi se traduzindo, por quê? Por que a masculinidade, tal como a gente conhece hoje, ela era o padrão ideal da perfeição do homem que era perfeito, e que, portanto, era este modelo de homem que as nossas sociedades tinham que suportar, comportar, acordar e, assim por diante, tudo isso. Então, quando a gente vai falando dessas masculinidades e do papel importante que elas têm, elas vêm justamente para questionar esse modelo, e saber que a gente é muito mais, que uma única coisa, a gente pode sair das nossas caixas, pode sair dos nossos dos nossos limites, que foram limites compulsórios, para muitas outras possibilidades de mais liberdade, de mais afeto, mais igualdade, e assim por diante. Então, essas masculinidades elas aparecem ainda embora com muitos estudos a respeito de homens gays, homens trans, eu acho que nem tanto que se comparado de homens negros, essas masculinidades vêm para mostrar que a gente pode ser mais que um modelo único do que é ser homem.”

almasculina é feito por:

Idealização, roteiro, edição e apresentação: Paulo Azevedo (@pauloazevedooficial).

Trilha sonora original e mixagem: Conrado Goys (@conza01).

Identidade visual e arte: Glaura Santos (@glaurasantos).

Fotos: Vitor Vieira (@vitorvieirafotografia).

Realização: Comcultura (www.comcultura.com.br).

Siga e compartilhe o almasculina” e fale conosco:

Ouça e assine o almasculina” aqui:

Anchor fm Spotify Deezer Google Podcasts Apple Podcasts You Tube


Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *