Com o psicólogo, consultor e criador do “Paternidade Sem Frescura”, Leonardo Piamonte, e a participação especial do professor e pesquisador Fábio Mariano da Silva.

O episódio #33 – Parte 2 do almasculina”, o 1o da temporada 2021, traz uma conversa com o psicólogo, consultor e criador do “Paternidade Sem Frescura”, Leonardo Piamonte  (@psicologia_da_paternidade),  fala sobre paternidade, homens latinos, psicologia, desafios da pandemia… Sempre relacionados à sua visão sobre as masculinidades.

O professor e pesquisador Fábio Mariano da Silva (@fabioms08) é o nosso convidado no “Lugares Comuns”, quadro que dá voz a especialistas, gente que pesquisa e entende muito do assunto, explicando termos, conceitos e ampliando a nossa visão sobre tópicos mais específicos.

E começamos a nova temporada com duas novidades:

O almasculina agora é semanal! Isso mesmo! Você vai poder usufruir ainda mais as conversas com nossos convidados em dois episódios de menor duração e com menos cortes na edição! Uma ótima desculpa que encontramos para estarmos mais perto de você, todas as semanas!

E para que o almasculina continue no ar, precisamos da sua colaboração! Iniciamos uma campanha de financiamento coletivo que traz benefícios exclusivos para nossos apoiadores! Acesse www.catarse.me/almasculina e saiba mais! Participe!

– Ouça aqui o episódio na íntegra:

– Assista à gravação na íntegra e o “Lugares Comuns”, com o Fábio Mariano da Silva, no nosso canal no Youtube!

ASPAS 

– Artigo “Por que suprimir as emoções faz dos homens as principais vítimas de suicídio?”, de Leonardo Piamonte, publicado no site Papo de Homem:

“…Lembro do parquinho cheio de crianças pequenas que costumava visitar antes da pandemia, quando meus meninos eram menores. O parquinho sempre me levou para um pensamento semelhante ao que descrevi antes: por que as nossas crianças, que brincam agora indiferentes com gravetos, folhas e baldinhos de areia, que pulam, correm e se sujam por igual, daqui a pouco vão se distanciar entre eles, segregando meninos de meninas? 

Porque estas crianças vão, em dado momento, divergir nos seus interesses, nas suas condutas, nas suas convicções sobre o que podem e não podem? Na sua noção de cuidado, de diálogo, de empatia, de competitividade, para finalmente se tornarem adolescentes e posteriormente adultos que, dando quase razão a livros baratos e pseudocientíficos de autoajuda, parecem que vieram de planetas diferentes? Por que aquela menininha que brinca com um gravetinho lá, daqui a pouco será mais solicitada nas tarefas do lar que o menininho do balde? Porque o menininho do balde entenderá, daqui a pouco, que a vida é uma eterna e inútil concorrência com outros menininhos para ficar à frente deles, e atrás de outros tantos, em um labirinto infinito que promete fama, glória e acesso livre a mulheres que outrora brincavam  com ele no parquinho? Será que ele vai se matar aos 17 anos por um desamor? Será ele capaz de matar a sua ex? Por motivos muito complexo que não caberiam num único texto, esse nosso menininho deve criar, ao redor dos seus 4 anos de vida, uma forte tendência a se identificar com os outros menininhos e, por caminhos sociais muito rudimentares, pode vir a rejeitar aquilo que não faz parte do seu grupo identificado.

Esse processo é o que os manos chamam em inglês, muito elegantemente, de ‘ingroup/outgroup bias’, que não é mais do que eu enaltecer as características e os membros do meu grupo ao mesmo tempo que reduzo e rejeito as características e os membros de outro grupo “concorrente”. Assim, o nosso menininho irá se interessar mais por outros meninos, se divertir mais na companhia deles, admirá-los. Ele deverá ter apenas ídolos masculinos e se espelhar em figuras masculinas exclusivamente. Mas não só isso, ele também irá rejeitar, menosprezar e tentar se distanciar ativamente daquilo que remete ao outro grupo, isto é: as meninas e o universo feminino. Na nossa sociedade, em que as meninas são mais solicitadas nas atividades do lar, mais treinadas para exercer o cuidado com ela mesma (cabelo, unhas, roupa) e com os outros (bonecas que precisam ser alimentadas, trocadas, carregadas), não surpreende que sejam os sentimentos, os afetos e as emoções partes estruturantes do domínio feminino, junto com o cuidado, a empatia, a solidariedade e a cooperação”. 

ESCUTA AQUI

Leonardo Piamonte indicou:

Livro “Gênero e Os Nossos Cérebros: Como a Neurociência Acabou com o Mito de Um Cérebro feminino e masculino”, de Gina Rippon:

O seu cérebro é feminino ou masculino? Isso realmente existe ou é a pergunta que está errada? Diariamente encontramos crenças profundas e afirmações apaixonadas de que o nosso sexo determina as nossas habilidades e preferências, de brinquedos a cores, de carreiras a salários. Mas o que isso significa em relação ao que pensamos, decidimos e a como nos comportamos?
Há décadas, talvez séculos, a ciência forneceu à sociedade o conceito de que homens e mulheres são essencialmente diferentes, e de que o mundo se divide entre dois tipos de cérebro: o masculino e o feminino. Gina Rippon desafia esse mito danoso ao mostrar como a comunidade científica criou preconceitos e estereótipos ao reconhecer apenas os estudos que revelavam as diferenças em detrimento das semelhanças entre os sexos.
A partir das mais recentes descobertas da neurociência e da psicologia, os estereótipos que nos bombardeiam desde que nascemos são confrontados com evidências. A autora argumenta e, por fim, prova que os cérebros são como mosaicos compostos por peças tanto masculinas quanto femininas, e seguem sendo órgãos plásticos, que se adaptam ao longo do curso da vida de cada um, garantindo, assim, que as diferenças evidentes entre os gêneros são construídas pela sociedade, que continua a divulgar e perpetuar conceitos científicos errôneos. Rigoroso, atemporal e libertador, Gênero e os nossos cérebros tem um impacto imenso em mulheres, homens, pais e filhos, e em como identificamos a nós mesmos;

Cansada de ser sempre a pessoa que precisava lembrar de comprar papel higiênico, marcar as consultas médicas da família e comprar presentes de aniversário – tudo isso enquanto trabalhava em período integral, Eve Rodsky decidiu fazer o que faz todos os dias como consultora de gerenciamento organizacional: organizar. A partir de uma pesquisa com mais de quinhentos casais, a fim de mapear todo o trabalho invisível em uma família e descobrir como realizá-lo de forma eficaz, ela elaborou o método Fair Play para divisão de tarefas e está mudando relacionamentos e lares ao redor do mundo.

Nesse premiado livro, Cordelia Fine denuncia a ideia de que a distinção entre os sexos seria o resultado de uma disparidade evolutiva que teria moldado dois cérebros biologicamente distintos: o masculino e o feminino. Segundo esse mito arraigado no discurso científico, enquanto mulheres seriam maternais e avessas ao risco, homens seriam orientados para atrair o maior número de parceiras, otimizando a perpetuação de seu material genético. De forma rigorosa e bem-humorada, Fine demonstra que o sexo é apenas um dos muitos fatores que se combinam de forma dinâmica para dar origem ao comportamento de cada indivíduo. Com isso, expõe um conceito que, uma vez apreendido, torna-se difícil de esquecer: Testosterona Rex, afirma a autora, é aquela velha certeza de que a diferença de comportamento entre homens e mulheres tem origem na evolução biológica da espécie, uma certeza que “deturpa nosso passado, presente e futuro; orienta incorretamente a pesquisa científica e reforça o status quo de desigualdade”;

– Filme “A Esposa” (2019), de Bjorn Runge:

Joan Castleman (Glenn Close) é casada com um homem controlador e que não sabe como cuidar de si mesmo ou de outra pessoa. Ele é um escritor e está prestes a receber um Prêmio Nobel de literatura. Joan, que passou 40 anos ignorando seus talentos literários para valorizar a carreira do marido, decide abandoná-lo. Disponível no Telecine.

Paulo Azevedo indicou:

– Série “Wanderlust – Navegar É Preciso” (2018), de Nick Payne:

A produção da BBC, disponível na Netflix, é protagonizada por Joy Richards (Toni Collette): uma terapeuta que está decidida a reacender a chama do seu casamento de 20 anos e três filhos, após um acidente de bicicleta. Enquanto tenta uma reconciliação, ela se depara com algumas histórias de amor, ganância e desejos proibidos pelo caminho. Mais que abordar relacionamentos abertos, a série aborda a crise de meia idade e o resgate de um passado compensatório com ótimos roteiro e elenco;

– Filme “Pieces of a Woman” (2021), de Kornél Mundruczó:

Premiado no Festival de Veneza, a história de Martha (Vanessa Kirby) e Sean Carson (Shia LaBeouf) é um drama visceral sobre um casal que, devastado pela perda de seu bebê, precisa superar o luto e outros obstáculos para voltar a viver. Vale ressaltar que toda a intensidade e a grande angústia, transmitidas pelos personagens, veio de uma experiência real da roteirista Kata Wéber, que é casada com o diretor do filme. São diversas as variáveis colocadas com delicadeza na tela. Disponível na Netflix;

– Filme de animação “Soul” (2021), de Pete Docter:

Joe Gardner é um músico que, após um acidente, se vê de volta ao estado de alma, num lugar em que as almas são formadas e recebem personalidades antes de serem enviadas aos corpos humanos. Em “Soul”, duas perguntas se destacam: Você já se perguntou de onde vêm sua paixão, seus sonhos e seus interesses? O que é que faz de você… Você? Considerado pela crítica um dos melhores filmes da temporada, é a 1ª vez que um filme da Pixar traz um protagonista negro. E, mesmo com as críticas, a animação é carregada de cultura afro-americana, em especial, na ótima trilha. E vale lembrar que é o mesmo diretor dos ótimos “Divertidamente” e Monstros S.A.”. Disponível no Disney Plus;

– Quinta temporada do podcast Sexoterapia, da Universa UOL, com da nossa querida parceira, a sexóloga Ana Canosa e a jornalista Marina Bessa. São 8 episódios, do #35 ao #41, trazendo os homens para o debate sobre hábitos, comportamentos e dilemas sexuais que eles também enfrentam — mas nem sempre contam. Entre os temas abordados, estão: disfunções sexuais masculinas, machismo, desejo e casamento, identidades de gênero, violências nos relacionamentos, entre outros. É sempre uma ótima oportunidade para aprender sobre sexualidade, ainda mais na companhia de uma especialista como a Ana, que comenta os casos e conversa com convidados especiais.

almasculina é feito por:

Idealização, roteiro, edição e apresentação: Paulo Azevedo (@pauloazevedooficial).

Trilha sonora original e mixagem: Conrado Goys (@conza01).

Identidade visual e arte: Glaura Santos (@glaurasantos).

Fotos: Vitor Vieira (@vitorvieirafotografia).

Realização: Comcultura (www.comcultura.com.br).

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