Com o artista e comunicador Ariel Nobre e a participação especial do professor e pesquisador Fábio Mariano da Silva.

O episódio #34 – Parte 1 do almasculina” com o artista e comunicador Ariel Nobre  (@oarielnobre),  fala sobre transgeneridade, amor, suicídio, diversidade, saúde mental… Sempre relacionados à sua visão sobre as masculinidades.

O professor e pesquisador Fábio Mariano da Silva (@fabioms08) é o nosso convidado no “Lugares Comuns”, quadro que dá voz a especialistas, gente que pesquisa e entende muito do assunto, explicando termos, conceitos e ampliando a nossa visão sobre tópicos mais específicos.

E começamos a 3a temporada com duas novidades:

O almasculina agora é semanal! Isso mesmo! Você vai poder usufruir ainda mais as conversas com nossos convidados em dois episódios de menor duração e com menos cortes na edição! Uma ótima desculpa que encontramos para estarmos mais perto de você, todas as semanas!

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– Ouça aqui o episódio na íntegra:

– Assista à gravação na íntegra e o “Lugares Comuns”, com o Fábio Mariano da Silva, no nosso canal no Youtube!


LUGARES COMUNS com o Fábio Mariano da Silva sobre “Privilégios e masculinidades”:

Paulo Azevedo: “Fábio a gente tem falado muito sobre o lugar de privilégio dos homens, principalmente, de homens brancos, hetero, cis e, por aí vai. O que falta para os homens entenderem ou perceberem, que as masculinidades estão relacionadas a muitos problemas sociais que a gente vem debatendo e discutindo aqui no almasculina e, em vários outros lugares da sociedade, de danos físicos, emocionais e psíquicos. De agente de violência contra si mesmo e aos outros, qual que seria o privilégio e benefício de sustentar essa posição tão pesada?

Fábio Mariano da Silva: “Então, porque quando a gente está falando de privilégio é importante pensar que está falando de um grupo muito pequeno, porque se a gente for pensar do ponto de vista educacional, quem tem acesso à educação, ainda é um percentual muito pequeno da sociedade brasileira. Quando você fala, por exemplo do domínio de uma segunda língua, são pouquíssimas pessoas e tudo isso diz respeito a privilégios que são exercidos historicamente. Quando você fala de masculinidade, você fala de um lugar de privilégio, que é um lugar em que você sempre foi o centro. E que você sempre foi o centro em detrimento da outra, do outro, das mulheres e daqueles que exercem marcadores de dissidências sexuais. Então, pra que a gente possa avançar, você precisa romper. Pra romper, você precisa mexer no privilégio, pra você mexer no privilégio, você precisa tratar, por exemplo, do ponto de vista racial, como se dão as políticas públicas de reparação histórica. Como é que você vai fazer, por exemplo, pra que as mulheres acessem o mercado de trabalho e mais do que isso, elas não só acessem o mercado de trabalho, mas elas alcem os postos do poder dentro das empresas, cargos de chefia, de gerência e, assim por diante. É mexer nesses lugares que vai fazer com que você de fato esteja fazendo o quê? De fato esteja mexendo com os privilégios. Porque o privilégio, quando a gente está falando de privilégio, a gente está falando de estruturas, estruturas muito bem alicerçadas que fizeram com que os homens fossem se apropriando desses espaços. E mexer nessas estruturas significa retirar as garrinhas dos homens que estão ali. Fazer, não! Nós precisamos dividir! Nós precisamos dividir em termos políticos tudo aquilo que eu tive, para que mulheres, pessoas negras, LGBT, e assim por diante, também tenham. Quando você fala de privilégios, a gente está falando de uma estrutura de poder. E a estrutura de poder ela vai se dar quando você diz assim: ”ah, as mulheres ingressaram no mercado de trabalho”. Não! Elas ingressaram no mercado de trabalho, mas elas não têm o mesmo salário. Elas ingressaram no mercado de trabalho, mas para exercer as funções iguais às dos homens elas precisam ter o mesmo salário, elas precisam ter as mesmas condições de acesso. E você não dá acesso do dia para a noite, quando historicamente você negou esse acesso, porque há uma desvantagem desses grupos para chegar até aí. E é isso que a gente precisa entender, então mexer no privilégio, vai fazer com que você gire em torno desses temas, que são temas caros, porque a gente sempre viveu sob o mito da democracia racial, sempre viveu sob o mito da igualdade sexual, da igualdade de direitos, quando na verdade, o que aconteceu é que os direitos foram depositados para uns e os outros foram sendo alijados. O que a gente precisa fazer é reconstituir as políticas de aliança, para que a gente entenda o direito que as diferenças têm de exercer esses lugares que historicamente foram ocupados por homens, homens brancos e cis, heteros. ”

Paulo Azevedo: “E perceber o preço de manter essa estrutura que foi criada, não por você, que veio antes de você e talvez não faz mais sentido, né? Assim como muitas estruturas da história da humanidade desapareceram por não fazer mais sentido”.

Fábio Mariano da Silva: “Exatamente tem uma coisa muito importante, que você disse, que é:  você precisa perceber de onde os privilégios vêm, porque você pode dizer: “Eu não sou machista”, ”Eu não sou racista”, “ Eu tenho amigos, eu divido espaços”. A questão é que você não é racista, mas se você continua a usufruir de uma estrutura de privilégio histórico, você está sendo conivente com o racismo, porque você pode dizer que não é, mas você está se beneficiando de uma estrutura que é. Você pode dizer: “Mas eu não criei o racismo, eu não criei o heteroterrorismo, eu não criei o machismo”. Mas você acaba se beneficiando dela, quando você vai, sem dar lugar nem oportunidade para o outro. É preciso que a gente tire o pensamento de que negros falam só de negros e de racismo, que mulheres falam só sobre mulheres e feminismo, e é preciso dar voz para que essas pessoas possam falar de todo e qualquer tema. Temas, por exemplo, que foram negados durante a história para eles. Então, se você não faz isso, está se beneficiando de uma estrutura, que é uma estrutura de privilégios. E você está automaticamente, exercendo seu privilégio sobre a outra pessoa”.

almasculina é feito por:

Idealização, roteiro, edição e apresentação: Paulo Azevedo (@pauloazevedooficial).

Trilha sonora original e mixagem: Conrado Goys (@conza01).

Identidade visual e arte: Glaura Santos (@glaurasantos).

Fotos: Vitor Vieira (@vitorvieirafotografia).

Realização: Comcultura (www.comcultura.com.br).

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