Com o humorista, roteirista e apresentador Fábio Porchat e a participação especial do professor e pesquisador Fábio Mariano da Silva.

O episódio #36 – Parte 1 do almasculina” traz o humorista, roteirista e apresentador Fábio Porchat (@fabioporchat), que fala sobre machismo, pandemia, contexto político brasileiro e polaridade, humor, amor… Sempre relacionados à sua visão sobre as masculinidades.

O professor e pesquisador Fábio Mariano da Silva (@fabioms08) é o nosso convidado no “Lugares Comuns”, quadro que dá voz a especialistas, gente que pesquisa e entende muito do assunto, explicando termos, conceitos e ampliando a nossa visão sobre tópicos mais específicos.

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– Ouça aqui o episódio na íntegra:

– Assista à gravação na íntegra e o “Lugares Comuns”, com o Fábio Mariano da Silva, no nosso canal no Youtube!


LUGARES COMUNS com o Fábio Mariano da Silva sobre “Masculinidades: movimento ou articulações?”:

Paulo Azevedo: “A nossa convidada da live 1, a psicóloga e artista, Christina Montenegro, comentou que o homem ainda não existe como um personagem social. A gente também já ouviu aqui, que todas essas articulações nas últimas décadas em torno das masculinidades, ainda não podem ser consideradas um movimento, como o movimento feminista se constituiu. Eu queria saber, porque não pode ser considerado um movimento e, no Brasil, se existem alguns fatos que marcaram a nossa trajetória nesses últimos anos, décadas, em torno desse assunto. Como os grupos de estudo, os coletivos, etc.”

Fábio Mariano da Silva: “Quando a gente está falando o homem ainda não se constituiu como um ser social, eu acho que se constituiu. Porque a história da humanidade se dá a partir do homem. O homem é o princípio. Ele é aquele que vai determinar quais as narrativas dadas e estipuladas para que ele exerça o poder. O homem vai fazer isso! E ele vai fazer com um movimento que eu chamo de patriarcado, não vou chamar de masculinidade, não vou chamar de masculinidade hegemônica. É o patriarcado que se apropriou do corpo de mulheres, de terras, de grupos originários, para estipular, por exemplo, como é que ele ia exercer esse poder. O patriarcado fez isso! Então eu posso dizer, o patriarcado fez isso. Mas agora eu posso dizer também uma frase que a professora Carla Garcia fala, uma antropóloga da PUC São Paulo, ela diz: “se no século XIX, o grande movimento, século XIX, século XX, foram as mulheres que lançaram e revolucionaram o movimento político em torno da equidade, no século XXI, serão os homens que farão por meio de um movimento de masculinidades, sejam masculinidades por meio da equidade de gênero”. Dito isso, eu posso dizer, se há um movimento ou não há, do ponto de vista acadêmico, os homens já vêm sendo estudados faz um tempo, mas esse, normalmente, do ponto de vista acadêmico, no Brasil, nos anos 90, muito especialmente, muitos estudos a respeito dos homens e de masculinidades foram feitos. Qual é a questão? É que muitos desses estudos, eram restritos à área da Psicologia e à área da Saúde Pública. Não eram o foco de atenção, como sujeitos, dados e constituídos pela cultura, também pela natureza, e pelas Ciências Humanas e Sociais, passaram a olhar esse homem. E, daí, quando você começa a perceber isso, você diz: “Não há um movimento, mas já há um estudo que trate, por exemplo, masculinidades, porque você já volta o seu olhar para saber e para confirmar uma coisa essencial. ” É o fato de que o homem não é um sujeito ahistórico, atravessado pelas estruturas, a gente tem que separar os grupos para dizer o seguinte: do ponto de vista do homem, ele sempre existiu, porque o patriarcado existe e o patriarcado criou um modelo de homem universal. Do ponto de vista de uma masculinidade contra hegemônica, que tende a romper com esse padrão civilizatório, nós somos incipientes. A universidade começou a fazer isso e, agora começou a se constituir o quê? Os grupos, os sujeitos políticos, os movimentos políticos. A demanda, é que esses homens passem a se organizar em torno da equidade de gênero. Para que as mulheres não sejam violentadas, para que eles rompam o pacto em torno do estupro sistemático que acontece contra as mulheres, para que as mulheres sejam inseridas num espaço público da política e a cota de 30% caia. Que elas tenham o mesmo, percentual de direitos que eles têm, porque quando você estipula 30% de cota, você está reafirmando que há uma desigualdade de gênero. Por quê? Porque elas foram sistematicamente excluídas, elas não foram educadas para esse espaço. Evidentemente, que quando você abre, vai acontecer que elas vão falar: “ Não sei se esse espaço é meu ou não é.” Mas há movimento que tem se organizado, e esse movimento que se tem organizado de homens, vai constituir uma luta em torno da igualdade que a gente vai chamar de movimento. Mas eu não saberia dizer, ainda, se é possível vislumbrar um movimento de homens. O que eu posso te dizer, há um conjunto de homens que começa a observar a necessidade de se repensar em torno das disputas políticas, da equidade de gênero, ainda é pequeno, porque eu falo: os homens estão se organizando, mas o número de violência doméstica não tem diminuído. Os homens estão se organizando, mas o número de estupros contra vulneráveis, não tem diminuído. Os homens estão se organizando, mas travestis e transexuais continuam morrendo antes dos 35 anos. Homens negros continuam morrendo, a cada 23 horas, especificamente, jovens, nas periferias, ou seja, esse movimento precisa acordar em torno do quê? Desses temas interseccionais, multidimensionais, para que a gente possa avançar na luta. E daí, como diz a antropóloga Carla Garcia, dizer que, de fato é uma revolução quando os homens se derem conta disso”. 

almasculina é feito por:

Idealização, roteiro, edição e apresentação: Paulo Azevedo (@pauloazevedooficial).

Trilha sonora original e mixagem: Conrado Goys (@conza01).

Identidade visual e arte: Glaura Santos (@glaurasantos).

Fotos: Vitor Vieira (@vitorvieirafotografia).

Realização: Comcultura (www.comcultura.com.br).

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