Com o teólogo, pedagogo e ativista Padre Júlio Lancellotti e a participação especial do professor e pesquisador Fábio Mariano da Silva.

O episódio #38- Parte 1 do @almasculina com o teólogo, pedagogo e ativista Padre Júlio Lancellotti (@padrejulio.lancellotti) , que fala sobre pandemia, religião e espiritualidade, população em situação de rua, lgbtfobia… Sempre relacionados à sua visão sobre as masculinidades.

O professor e pesquisador Fábio Mariano da Silva (@fabioms08) é o nosso convidado no “Lugares Comuns”, quadro que dá voz a especialistas, gente que pesquisa e entende muito do assunto, explicando termos, conceitos e ampliando a nossa visão sobre tópicos mais específicos.

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– Ouça aqui o episódio na íntegra:

– Assista à gravação na íntegra e o “Lugares Comuns”, com o Fábio Mariano da Silva, no nosso canal no Youtube!

ASPAS 

– Livro “Livrai-nos da Perfeição – Como superá-la em grupo com a Terapia da Imperfeição”, de Ricardo Peter:

“O espaço cultural e social em que vivemos está cheio de convites a gastar a vida sobre o altar da perfeição. A antiga idolatria de alcançar a perfeição vestiu-se com novas perspectivas desmedidas que tornam o fardo do nosso ser bastante difícil de se carregar nos ombros. Perseguir a perfeição não torna o homem perfeito, mas mais inadequado. Faz com que ele se sinta em um estágio de incômodo crônico. A busca da perfeição é psicológica e espiritualmente nefasta. A perfeição vilipendia tudo aquilo que é humano, ou seja, limitado.

No perfeccionista, aninha-se um desejo de marcar e separar a vida do resto para evitar a sua degradação, a sua contaminação. A hierarquização comporta o domínio de uma parte sobre a outra e, portanto, ocorre que um elemento (inferior) seja subestimado por um outro elemento (superior). Nessa ótica o que é espiritual dominará aquilo que é material, e com o mesmo critério, o homem também dominará a mulher, o adulto dominará a criança, o homem branco dominará o homem negro, o europeu o não-europeu, o do Norte dominará o do sul e assim por diante. A hierarquização serviu para controlar e sufocar a diversidade.

A inclusão do limite tem uma função corretiva para esse comportamento. O bem-estar, o desenvolvimento e o consumo, portanto, devem ser limitados para que seja um bem-estar, um desenvolvimento e um consumo de todos. Ou aprendemos a nos limitar todos, ou todos (compreendidos aqueles que não se colocam limites) vamos nos dar mal. A nossa relação com o ambiente a partir de uma perspectiva do não-limite é de risco para o homem, para todas as criaturas vivas e para o próprio mundo.

O esquema mental até agora utilizado está em crise. Os valores a ele ligados comprometem a existência em termos planetários. É preciso redefinir esse esquema baseado em uma visão ilimitada, que induz um comportamento agressivo. Trata-se de um esquema mental ‘contra’, que direciona a sua relação com o mundo em termos de exploração, de saque e de violação. É um esquema mental que não sabe imaginar a gratuidade, o desinteresse, o serviço, a irmandade, a comunhão, a consagração de si mesmo à vida frágil e precária que levou bilhões de anos para surgir na terra. Reconhecer e respeitar os limites é a única verdadeira estratégia para gerir a vida de uma forma humana”.

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Padre Júlio Lancellotti indicou:

– Livro “Jesús, el varón: Aproximación bíblica a sua masculinidade”, de Hugo Cáceres Guinet:

Da mesma forma que o feminismo tornou visíveis as injustiças e desigualdades das relações humanas, os estudos da psicologia e da sociologia revelaram as pressões sociais que os homens sofrem na construção da masculinidade, produto temporário sujeito às expectativas da política, religião ou família. Este livro coleta os resultados da análise social de gênero e os aplica à exegese bíblica para aproximar o modelo de masculinidade com o qual os evangelistas retrataram Jesus. Dentro do amplo quadro da construção da masculinidade no antigo Mediterrâneo, este estudo destaca o caráter profético com que o homem galileu partiu de princípios rígidos e como ele propôs aos seus discípulos um modelo de relacionamento justo e íntimo com mulheres, meninos e outros meninos.

– Livro “Jesus: Aproximação Histórica”, de José Antonio Pagola:

Quem foi Jesus? Como entendeu sua vida? Como terminou sua aventura? Este livro não é uma ideia nova em mim. Sempre senti a necessidade de fazer conhecer a pessoa e a mensagem de Jesus. Estou convencido de que Jesus é o melhor que temos na Igreja e o melhor que podemos oferecer hoje à sociedade moderna. 

– Livro “A Loucura de Deus”, de Alberto Maggi:

“A loucura de Deus é mais sábia que os homens e a fraqueza de Deus é mais forte que os homens” (1Cor 1,25). Rejeitado pela família, de modo que “nem mesmo os seus irmãos acreditavam nele” (Jo 7,5), e abandonado por grande parte dos seus seguidores “muitos dos seus discípulos se afastaram e não andavam mais com ele”, (Jo 6,66), para as autoridades judaicas Jesus é apenas um louco, um obcecado (Jo 8,48). Somente um louco, um samaritano endemoninhado, podia, com efeito, denunciar os chefes religiosos como filhos do diabo e assassinos (Jo 8,48), e desejar o fim da instituição religiosa que se acreditava fosse desejada pelo próprio Deus.

– Filme “Romero – Uma História Verdadeira” (1989), de John Duigan:

El Salvador. O país está às vésperas das eleições presidenciais de 1977. A tensão política é cada vez maior, a miséria é enorme e a população reivindica melhorias. Um general, apoiado pelas forças governamentais, é eleito presidente. Pouco depois, monsenhor Oscar Romero é nomeado arcebispo de San Salvador. Mas os conflitos se acirram e a violência se alastra. Inconformado com os acontecimentos, dom Oscar Romero enfrenta o regime militar e empreende uma árdua batalha em defesa dos direitos humanos e contra a injustiça no país, pondo em risco sua própria vida. Dirigido por John Duigan, este filme conta a história do arcebispo Oscar Romero (interpretado por Raul Julia, de “O Beijo da Mulher Aranha”). Disponível no VIX.

Paulo Azevedo indicou:

– Filme “Boy Erased – Uma Verdade Anulada” (2019), de Joel Edgerton:

Baseado em fatos reais narrado da autobiografia de Garrard Conley, esta é a corajosa história do jovem Jared Eamons, que é gay e filho de um pastor batista, em uma pequena cidade americana. Receoso de perder família, amigos e comunidade, ele é pressionado a se submeter a um programa de “reorientação sexual”. Durante o tratamento, Jared entra em conflito com seu líder e começa sua jornada para encontrar sua própria voz e aceitar sua própria personalidade. Vale lembrar que esse tipo de programa é proibido no Brasil, mas, ainda hoje, é praticado em 36 estados americanos. Segundo o filme, cerca de 600 mil pessoas já foram submetidas a procedimentos desse tipo, considerados como uma grave ameaça à saúde pela ONU. Em 2018, mesmo tendo grandes nomes no elenco, como Nicole Kidman e Russel Crowe, o lançamento em 2018 foi cancelado no Brasil. O autor da história chegou a acusar a distribuidora de censura. Disponível no Looke, Telecine, Now, AppleTV e GooglepLay;

– Filme “Elefante Branco” (2012), de Pablo Trapero:

O padre Julián e o padre Nicolás há anos dedica a vida para ajudar os menos favorecidos na favela de Villa Virgen, periferia de Buenos Aires. A polícia corrupta e os próprios sacerdotes da Igreja nada fazem para mudar essa realidade e os dois clérigos terão de por suas próprias vidas em risco para continuar do lado dos mais pobres. Seus personagens jamais são apresentados como heróis, mas com um olhar humano sobre seus personagens e o ambiente como um todo. “Elefante Branco” é um filme corajoso pela denúncia proposta e também por sua própria realização, sem medo de possíveis represálias das organizações citadas. Disponível na Vivo Play.

– Filme “Batismo de Sangue” (2007), de Helvécio Ratton:

No último dia 31 de março, lembramos os 57 anos do Golpe Militar de 64, que durou 21 anos no Brasil e deixou marcas ainda presentes no país até hoje. O filme “Batismo de Sangue” conta a história de cinco frades dominicanos que se engajaram na guerrilha contra a ditadura militar nos anos 60 no Brasil. Por apoiarem a luta armada, são considerados comunistas, são presos e torturados. Vale lembrar que é baseado no livro homônimo de Frei Betto, vencedor do prêmio Jabuti, e é dirigido por Helvécio Ratton, nosso convidado do episódio #9, ganhou os prêmios de Melhor Diretor e Melhor Fotografia no Festival de Brasília. Disponível no Prime Video.

– Espetáculo “América Latina para imbecis” (2018), com John Leguizamo, de Aram Rappaport:

Nesta apresentação na Broadway, John Leguizamo conta 3 mil anos de história latina com muito humor, em um esforço para ajudar o filho vítima de bullying na tentativa de provar que existe um herói latino na construção da América. O espetáculo foi nomeado ao Tony de Melhor Peça e ajudou Lequizamo a conquistar também um Tony especial por seu trabalho teatral. Disponível na Netflix.

Ainda foram citados durante a conversa:

– Documentário “A 13ª Emenda” (2016), de Ava DuVernay:

Estudiosos, ativistas e políticos analisam a correlação entre a criminalização da população negra dos EUA e o boom do sistema prisional do país. Disponível na Netflix;

– Curta-metragem/ Documentário “Quando Elas Cantam” (2019), de Maria Fanchin:

Quando Elas Cantam” é um documentário que pretende abordar o impacto que aulas de canto e a prática do coral exerce sobre a vida carcerária de algumas detentas da Penitenciária Feminina da Capital de São Paulo. Trata-se de investigar a potência da arte como ferramenta de regeneração destas mulheres.

almasculina é feito por:

Idealização, roteiro, edição e apresentação: Paulo Azevedo (@pauloazevedooficial).

Trilha sonora original e mixagem: Conrado Goys (@conza01).

Identidade visual e arte: Glaura Santos (@glaurasantos).

Fotos: Vitor Vieira (@vitorvieirafotografia).

Realização: Comcultura (www.comcultura.com.br).

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