Com o ator David Junior, com a participação especial do psicanalista Ricardo Goldenberg.

O episódio #4 do almasculina” traz uma conversa com o ator David Junior (@davidjunior) sobre sua trajetória, negritude, lugar de fala, racismo… Sempre relacionados à sua visão sobre as masculinidades.

O psicanalista Ricardo Goldenberg (@bergue55) é o nosso convidado no “Lugares Comuns”, quadro que dá voz a especialistas, gente que pesquisa e entende muito do assunto, explicando termos, conceitos e ampliando a nossa visão sobre tópicos mais específicos.

Ouça aqui o episódio na íntegra:

ASPAS

– Lugar de Fala, de Djamila Ribeiro

“Quem pode falar?’, ‘O que acontece quando nós falamos?’, e ‘Sobre o que nos é permitido falar?’. Esses questionamentos são fundamentais para que possamos entender lugares de fala. Dentro desse projeto de colonização, quem foram os sujeitos autorizados a falar? O medo imposto por aqueles que construíram as máscaras serve para impor limites aos que foram silenciados? Falar, muitas vezes, implica receber castigos e represálias, e justamente por isso, muitas vezes, prefere-se concordar com o discurso hegemônico como modo de sobrevivência? E, se falamos, podemos falar sobre tudo ou somente sobre o que nos é permitido falar? Numa sociedade suprematista branca e patriarcal, mulheres brancas, mulheres negras, homens negros, pessoas transexuais, lésbicas, gays podem falar do mesmo modo que homens brancos cis heterossexuais? Existe o mesmo espaço e legitimidade? Quando existe algum espaço para falar, por exemplo, para uma travesti negra, é permitido que ela fale sobre economia, astrofísica, ou só é permitido que fale sobre temas referentes ao fato de ser uma travesti negra? Saberes construídos fora do espaço acadêmico são considerados saberes?”. 

ESCUTA AQUI

– David Junior indicou dois trabalhos nas quais atua e estão no ar: a série “Sessão de Terapia”, da GNT / Globoplay e novela das sete da TV Globo, “Bom Sucesso”

– David indicou ainda o documentário “The Mask You Live In” (A Máscara em que você vive”), disponível no Netflix e Youtube e os livros da filósofa Djamila Ribeiro, o novo livro do sociólogo Túlio Custódio, “Diálogos Contemporâneos Sobre Homens Negros e Masculinidades” e “Memórias da Plantação: Episódios de racismo cotidiano”, de Grada Kilomba

LUGARES COMUNS com o psicanalista Ricardo Goldenberg

(Sobre o termo “Lugar da Fala”) “Isso é um truque porque aí chegamos a que os negros só podem falar sobre negros, não podem falar sobre mais nada, ou seja, uma espécie de tirania ao contrário, de segregação ao contrário. E, é claro, que se eu tomo a palavra, eu posso tomar a palavra pra dizer qualquer coisa, sobretudo, se tenho alguma formação ou informação, senão vou dizer besteira independentemente do que eu direi. Mas, digamos, é claro, que se eu tomar a palavra é a partir das minhas determinações físicas, culturais e históricas e inconscientes que eu desconheça, é óbvio. Isso é óbvio ululante pra todo mundo. Agora, levando isso em consideração, eu posso falar qualquer coisa, por que não? O que não posso fazer é supor ou dizer ou implicar que eu, a partir do meu lugar, tenho a verdade sobre você. Se eu quiser saber alguma coisa sobre mim alguma coisa que preste, vou ter que prestar a atenção ao que você pensa sobre mim. O que você pensa sobre mim vai me permitir pensar melhor o que eu produzo sobre você do que qualquer coisa eu pense sobre mim mesmo. E a recíproca é verdadeira. Quando você fala sobre si próprio você não sabe o que diz porque teu inconsciente te escapa necessariamente. Os efeitos que você produz nos outros, se você presta atenção, dizem mais sobre você do que qualquer outra coisa. Se você quiser aprender sobre você próprio, vai ter que prestar atenção ao que acontece nos outros. Essa é a lógica numa análise. Então, o lugar de fala… Legislar ou não sobre o que uma pessoa pode dizer pela sua origem, pela sua determinação, é uma forma de segregação ao contrário”.


almasculina é feito por:

Idealização, produção, roteiro e apresentação: Paulo Azevedo (@pauloazevedooficial)

Trilha sonora original, gravação, edição e mixagem: Conrado Goys (@conza01)

Identidade visual e arte: Glaura Santos (@glaurasantos)

Colaboração: Suacompanhia (@suacompanhiateatro)

Realização: Comcultura (www.comcultura.com.br)


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