Com a cartunista Laerte Coutinho, 

com a participação especial da psicanalista Malvina Muszkat.

O episódio #5 do almasculina” traz uma conversa com a cartunista Laerte Coutinho (@coutinholaerte) sobre sua trajetória, transgeneridade, humor, preconceitos … Sempre relacionados à sua visão sobre as masculinidades.

A psicanalista Malvina Muszkat (@malvinamuszkat) é a nossa convidada no “Lugares Comuns”, quadro que dá voz a especialistas, gente que pesquisa e entende muito do assunto, explicando termos, conceitos e ampliando a nossa visão sobre tópicos mais específicos.

Ouça aqui o episódio na íntegra:

ASPAS

“O que é um homem? Psicanálise e história da masculinidade no ocidente”, de Pedro Ambra

“O que é um homem? A pergunta suscita ambiguidade uma vez que mostra de forma gritante a separação necessária entre a palavra e representação. (…) O quadro complexifica-se ainda mais ao considerar que, no que tange as chamadas diferenças sexuais, as tensões entre mente e corpo, semblante e essência, escolha objetal e identidade sexual, natureza e cultura etc. parecem ganhar cada vez mais nuances frente a fenômenos contemporâneos e seus modelos explicativos correlatos. Se analisarmos a direção de movimentos ou grupos que lutam pelos direitos de minorias sexuais, observamos uma expansão seja de sua visibilidade junto à sociedade civil, seja da abrangência de suas reinvindicações. (…) O Facebook americano adicionou em 2015 novas categorias de gênero: ao todo são 58 possibilidades de identidades de gênero. No português, temos tímidas 17 opções ao passo que no Facebook francês abundam 70 opções (por enquanto). (…) Mesmo na academia, muitos daqueles estudos, anteriormente nomeados de feministas, tornaram-se estudos de gênero, que, por sua vez, deram origem aos estudos queer. Assim, fenômenos contemporâneos relativos ao gênero – cross-dressing, travestismo, transsexualidade, reinvindicação de pessoas no-gender, crianças criadas sem gênero ou que recebem aplicações de hormônios para poderem escolher seu gênero posteriormente ganham cada vez mais destaque na opinião pública e no debate acadêmico”. 

ESCUTA AQUI

Paulo Azevedo indicou o documentário “Laerte-se” e a série “Pose”, ambos disponíveis no Netflix;

Laerte Coutinho indicou livro “O Homem ainda não existe – Compartilhando reflexões”, de Maria Christina Montenegro e o filme “Homens”, de Doris Dörrie (1985);

– Saiba mais sobre o projeto TransEmpregos

– Charges de Laerte Coutinho citadas neste episódio:

Hugo Baracchini (de 2004, na qual o personagem se veste de mulher pela 1a vez)

A grande ficha (de 2013)

LUGARES COMUNS com a psicanalista Malvina Muszkat

Paulo Azevedo: O que é feminismo?

Malvina Muszkat: Não, você pode dizer o que foi o feminismo. O feminismo foi um movimento que começou a ganhar corpo no século XX, na segunda metade do século XX, como uma forma de libertação de um grupo que era regrado e controlado por uma hegemonia masculina. É muito importante que se diga que hegemonia masculina não é masculina no total. Isso é muito importante. Por isso que a gente fala masculinidades porque tem muito homem que faz parte da comunidade dos homens, mas que não tem nenhum poder. Você não pode comparar um homem negro com um homem branco, por exemplo. Você não vai dizer que a hegemonia do homem branco é igual a hegemonia do homem negro. Talvez o homem negro tenha sido tão subjugado pelo homem branco quanto a mulher, e a mulher negra ainda mais, enfim… Então, esse movimento tinha um objetivo de liberar as mulheres no sentido de terem os direitos políticos, sociais, no mercado de trabalho, no pensamento, nas ideologias. Então, começou-se a pensar cientificamente na questão do gênero. As mulheres… Esse foi um movimento intelectual, inclusive, político e intelectual.

Paulo Azevedo: Você usa no passado… Por que, Malvina?

Malvina Muszkat: Porque começou no passado. Eu acho que os movimentos feministas já foram, já eram.

Paulo Azevedo: O que temos hoje seria?

Malvina Muszkat: Seria o macarthismo do feminismo. Eu acho porque as mulheres ganharam esse poder. Claro que nos ainda temos que lutar: mais emprego, ter melhores salários, tudo isso… Gente, mas nos transformamos a sociedade, nos temos que admitir isso. As famílias não são mais as mesmas, as relações não são mais as mesmas, os sexos não são tratados mais igualmente, quer dizer, nós fizemos essa revolução. Então, tá bom, tá feito. Agora, é dar continuidade. Mas eu só vejo a possibilidade dessa continuidade se os homens forem nossos parceiros. Nos andamos mais pra frente que os homens porque nos propusemos a refletir sobre a nossa condição. Agora é a vez de vocês refletirem sobre as suas condições, mas não precisamos ser inimigos. Talvez, menos do que nunca. Hoje deveríamos ser parceiros e poder pensar soluções juntos, né? Em vez de raiva, porque a gente ficou muito raivosa, talvez se a gente pudesse ter mais empatia e tolerância, a cultura, as mudanças ocorreriam com mais facilidade do que na luta, sabe?… Pela raiva, pela punição. Cada um tem a sua forma de olhar pro mundo. O que nós não podemos é estratificar e transformar isso numa lei. Ah! Então, porque os homens tem o pau, eles podem olhar. Então, eles são objetivos. E a mulher tem uma vagina, que é pra dentro, ela é menos objetiva que o homem. Isso é uma bobagem, né? Porque a gente chega lá. E eu acho que os homens estão chegando lá. Eu tô vendo essa proliferação de grupos pensando, o meu único receio que se pense com raiva, que se pense com culpa porque aí o resultado pode não ser muito bom, né?


almasculina é feito por:

Idealização, produção, roteiro e apresentação: Paulo Azevedo (@pauloazevedooficial)

Trilha sonora original, gravação, edição e mixagem: Conrado Goys (@conza01)

Identidade visual e arte: Glaura Santos (@glaurasantos)

Fotos e vídeo: Vitor Vieira (@vitorvieirafotografia)

Colaboração: Suacompanhia (@suacompanhiateatro)

Realização: Comcultura (www.comcultura.com.br)


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