Com o comunicador e palestrante AD Junior, 

com a participação especial do psicanalista Ricardo Goldenberg.

O episódio #6 do almasculina” traz uma conversa com o comunicador AD Junior (@adjunior_real) sobre sua trajetória, homossexualidade, racismo estrutural, preconceitos … Sempre relacionados à sua visão sobre as masculinidades.

O psicanalista Ricardo Goldenberg (@bergue55) é o nosso convidado no “Lugares Comuns”, quadro que dá voz a especialistas, gente que pesquisa e entende muito do assunto, explicando termos, conceitos e ampliando a nossa visão sobre tópicos mais específicos.

Ouça aqui o episódio na íntegra:

ASPAS

“A dominação masculina: a condição feminina e a violência simbólica”, de Pierre Bourdieu

“O privilégio masculino é também uma cilada e encontra sua contrapartida na tensão e contensão permanentes, levadas por vezes ao absurdo, que impõe a todo homem o dever afirmar, em toda e qualquer circunstância, sua virilidade. Na medida em que ele tem como sujeito, de fato, um coletivo – a linhagem ou a casa -, que está, por sua vez, submetido às exigências imanentes à ordem simbólica, o ponto de honra se mostra, na realidade, como um ideal, ou melhor, como um sistema de exigências que está destinado a se tornar, em mais de um caso, inacessível. A virilidade, entendida como capacidade reprodutiva, sexual e social, mas também como aptidão ao combate e ao exercício da violência (sobretudo em caso de vingança), é, acima de tudo, uma carga. Em oposição à mulher, cuja honra, essencialmente negativa, só pode ser defendida ou perdida, sua virtude sendo sucessivamente a virgindade e a fidelidade, o homem ‘verdadeiramente homem’ é aquele que se sente obrigado a estar à altura da possibilidade que lhe é oferecida de fazer crescer sua honra buscando a glória e a distinção na esfera pública. A exaltação dos valores masculinos tem sua contrapartida tenebrosa nos medos e nas angústias que a feminilidade suscita (…) Tudo concorre, assim, para fazer do ideal impossível de virilidade o princípio de uma enorme vulnerabilidade”. 

ESCUTA AQUI

AD Junior indicou o livro Pele negra, Máscaras Brancas, de Frantz Fanon, a crônica “Mãe, onde dormem as pessoas marrons?”, de Eliane Brum e saber mais sobre os “Pactos narcísicos da branquitude”, da Profa. Maria Aparecida Silva Bento;

Paulo Azevedo indicou o canal do AD Junior no Youtube, em especial os vídeos sobre racismo estrutural e eugenia e branquitude ;

– E mais! Confira a participação do AD Junior no Programa “Caldeirão do Huck”, da TV Globo, falando sobre racismo estrutural.

LUGARES COMUNS com o psicanalista Ricardo Goldenberg 

Ricardo Goldenberg: “A homofobia é eu não quero saber nada do gay em mim. Então, qualquer tipo de fantasia dessa ordem, aí sim, temos uma questão cultural: é tão inaceitável em mim qualquer fantasia dessa ordem que eu projeto pra fora ‘os viados são os outros’. Então, é fato que isso tem algo de cultural, evidente, eu não nego isso… E de histórico e nesse sentido a história muda. Agora, por que da rejeição ao homossexual em mim, isso tem motivos inconscientes, isso não é histórico, e nenhuma lei, nenhum decreto muda isso”. Freud tem uma teoria da identificação sim, claro. O que Freud diz é: ninguém nasce homem ou mulher que isto se constitui a partir das identificações inconscientes. Ou seja, é tão difícil fabricar um homem quando alguém nasce menino do que fabricar um homossexual quando alguém… Não é mais fácil fabricar uma identidade do próprio sexo biológico do que a identidade do que a identidade homossexual. É tão difícil quanto. Ou seja, haveria que acabar com a ideia de normalidade. A normalidade nada mais pode querer dizer que a medida estatística. Isso seria a norma estatística não que seja patológico porque está bem ou porque está errado. É simplesmente porque muitos nascidos biologicamente homens acabam se identificando com os traços da heterossexualidade masculina. A construção de cada um deles é tão difícil quanto. Freud dizia que o maior horror masculino inconsciente era ocupar a posição imaginária da mulher do pai, digamos assim. O que se chamava de complexo de castração, em geral, é a história de ‘eu vou te cortar o pintinho’. Isso não é bem o complexo da castração. O que Freud realmente dizia era que o horror masculino inconsciente era ocupar o lugar da mulher do pai. Isso seria rejeitar a posição feminina em mim. Então, qualquer coisa vinda de fora que lembre disso eu vou rejeitar claramente e quanto mais recalcado estiver em mim mais violento eu serei com aqueles que me lembram isso. Então, eu tô te dizendo mal e porcamente o que me parece ser o mecanismo homofobia. Digamos, 90% da agressão homofóbica é insuportável, é registrar a mulher em mim, dentro de mim”.

Paulo Azevedo: “O racismo opera neste mesmo lugar?”

Ricardo Goldenberg: “Exatamente igual. Qualquer segregação, racismo, contra os homossexuais, contra as próprias mulheres, qualquer forma de segregação, toda forma de segregação tem a mesma lógica. E qual é a lógica? Fazemos o uno, fazemos uma classe unificada, isso seria o uno, e necessariamente você constitui o outro que está fora do uno.Para poder manter a classe unificada precisamos exterminar o outro”.

Paulo Azevedo: “Por que?”

Ricardo Goldenberg: “Por lógica”.

Paulo Azevedo: “Pra evitar o confronto?”

Ricardo Goldenberg: “Para poder manter a unicidade precisamos excluir para fora todo que seja diferente”.

Paulo Azevedo: “Então, o bullying nasce desse mesmo lugar”.

Ricardo Goldenberg: “100%. Para excluir o diferente em mim… O ‘clube do Bolinha’ necessariamente precisa ‘da Luluzinha’ pra dizer nossos meninos. Se a ‘Luluzinha’ diz: ‘Não brinco mais de ser quem sustenta a unicidade do clube, o clube se desfaz. Não se sustenta per se. Não é que eles sabem o que são e se juntam num clube. É o contrário. Não é porque eles estão tranquilos com o que eles são que fazem o ‘Clube de Bolinha’. É para se opor a ‘Luluzinha’ que eles criam o ‘Clube de Bolinha’. 

Paulo Azevedo: “É neste sentido que a crise do masculino tem sido tratada ou o ataque à masculinidade?”

Ricardo Goldenberg: “Exatamente”.


almasculina é feito por:

Idealização, produção, roteiro e apresentação: Paulo Azevedo (@pauloazevedooficial)

Trilha sonora original, gravação, edição e mixagem: Conrado Goys (@conza01)

Identidade visual e arte: Glaura Santos (@glaurasantos)

Fotos e vídeo: Vitor Vieira (@vitorvieirafotografia)

Colaboração: Suacompanhia (@suacompanhiateatro)

Realização: Comcultura (www.comcultura.com.br)


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