Com o escritor Marcelino Freire, 

com a participação especial da psicanalista Malvina Muszkat.

O episódio #7 do almasculina” traz uma conversa com o escritor Marcelino Freire (@marcelinofreire_escritor) sobre sua trajetória, formação, as principais referências na literatura e na vida, preconceitos … Sempre relacionados à sua visão sobre as masculinidades.

A psicanalista Malvina Muszkat (@malvinamuszkat) é a nossa convidada no “Lugares Comuns”, quadro que dá voz a especialistas, gente que pesquisa e entende muito do assunto, explicando termos, conceitos e ampliando a nossa visão sobre tópicos mais específicos.

Ouça aqui o episódio na íntegra:

– Assista trechos inéditos da conversa com Marcelino Freire no nosso canal no Youtube!

ASPAS

“Balé Ralé”, de Marcelino Freire

“Sabe o Homem que encontraram no gelo? Encontraram no gelo da Prússia? Enrolado? Os arqueólogos encontraram no gelo gelado da Prússia? Perto das colinas calcáreas da Prússia? O Homem feito um feto gelado, com sua vara de pesca?  Sabe o Homem que encontraram? Com seu machado de pedra?
O Homem que tinha cabeleira intacta? A arcada dentária? O Homem meio macaco? Funerário? Fossilizado na encosta que o engoliu? No tempo perdido? 

Você viu? Tetravô dos mamíferos do Brasil? O Homem vestígio?
O Homem engolido pela terra primitiva? Da Era Quaternária, não sei? Secundária? Que caçava avestruz sem plumas? Caçava o cervo turfeiras? Javali e mastedonte? Ia aos mares fisgar celacanto? 

Inimigo de rinoceronte?
Sabe deste Homem? Irmão do Homem de Piltdown? Primo do Homem de Neandertal? Do velho Cro-Magnon? Do Homem de Mauer? Dos Incas, até? Dos Filhos do Sol? Das tribos da Guiné? 

O Homem de 100 mil anos antes de nossa era? Ou mais? Um milhão de eras? Homem com mandíbula de chimpanzé? Parecido o mais terrível dos répteis carnívoros do Cretáceo? Um mistério maior que este mistério? Navegador de jacaré? 

Não sabe? 

Homem desenterrado por acaso? Pelos viajantes, por acaso? Pela Paleontologia, não sabe? Visto nas costelas frias da Prússia, repito? Prússia renana, vá saber lá o que é isso?

O Homem ressuscitado, você viu na TV? De ossos miúdos? Esmiuçados? Abertos para estudo? À visitação nos museus americanos? Como uma múmia sem roupa? Quase? Flagrada como se estivesse dormindo nas profundezas do mundo oceânico? O Homem embrionário? Das origens cavernosas da Humanidade? Sabe este Homem, não sabe? Pintado nas cavernas da Dordonha? Mesolítico? Nômade? Perdido? 

Este Homem dava o cu para outros homens.
E ninguém – até então – tinha nada a ver com isso”.

ESCUTA AQUI

Marcelino Freire indicou os livros “Um defeito de cor”, Ana Maria Gonçalves, “Redemoinho em Dia Quente”, da Jarid Arraes e “Sangue Negro, da Noémia de Sousa e a série “Irmandade”, disponível no Netflix.

Marcelino Freire ainda citou e indicou alguns livros:

“Judas, O Obscuro”, de Thomas Hardy;

“Nossa Senhora das Flores” e “Diário de Um Ladrão”, de Jean Genet;

“Vidas Secas” e “São Bernardo” (citou os personagens Paulo Honório e Madalena), de Graciliano Ramos

Marcelino Freire ainda citou e indicou alguns autorxs:

Carolina Maria de Jesus Jobalo (João Batista Lopes Cabral) Noémia de Sousa
Cecília Meirelles José Lins do Rego Oswald de Andrade
Clarice Lispector Letícia Brito Paulo Freire
Conceição Evaristo Lucas Dantas Sérgio Vaz
Federico García Lorca Lygia Fagundes Telles Valter Hugo Mãe
Fernando Pessoa Manuel Bandeira Wally Salomão
Geni Guimarães Maria Rita Kehl
Hilda Hilst Mário de Andrade
João Cabral de Melo Neto

– Saiba mais sobre as obras e projetos de Marcelino Freire

Livros “Nossos Ossos”, “Angu de Sangue”, “Balé Ralé”, “Bagageiro”, todos de Marcelino Freire ;

Balada Literária

Toca Literária – Oficina de Escrita Criativa

– E mais! Conheça o Grupo Clariô de Teatro, da atriz Naruna Costa, que recitou “DA PAZ”, de Marcelino Freire

– E lembrem-se: “A vida é muito curta para ser pequena”, do poeta Chacal. 

LUGARES COMUNS com a psicanalista Malvina Muszkat 

Paulo Azevedo: “Como fazer pra que esses meninos evitem estereótipos de gerações anteriores”?

Malvina Muszkat: “A verdade que esse seria um papel das famílias, mas as famílias não estão preparadas para educar filhos homens, que não sejam dentro da masculinidade tóxica, dando um pouco de razão pra você, no exagero, quer dizer, não sabem muito bem o que fazer. Eu vejo pais hoje estimulando as filhas a saírem, a serem batalhadoras, a disputarem o mercado de trabalho, a aprenderem… Então, tá se sabendo muito bem como lidar com as mulheres, às vezes, até um pouco exagerado. Mas ainda estamos vivendo este momento de mudanças ainda, procurando respostas porque ninguém sabe ainda educar um filho homem porque ao mesmo tempo que você quer ter um filho terno – eu gosto dessa palavra para os homens, ‘ternura’. Ternura e empatia são aquilo que os homens podem usufruir e não sabem. Eles têm muito medo de transformar o filho num homossexual, num cara que vai ser marginalizado porque a verdade é que a sociedade marginaliza ainda. Então, como encaixar, como lidar, dar liberdade pra esse homem e, ao mesmo tempo, inseri-lo na sociedade e ele ser bem aceito. Nós precisamos da sociedade, nós não podemos nos sentir marginais na sociedade, num é? Nós precisamos ser aceitos. Claro que hoje a liberdade é muito maior de movimento e de comportamento. Mas, ainda, a nossa sociedade é muito preconceituosa haja vista que nós escolhemos homens que nem nos escolhemos para nos governar”.


almasculina é feito por:

Idealização, produção, roteiro e apresentação: Paulo Azevedo (@pauloazevedooficial)

Trilha sonora original, gravação, edição e mixagem: Conrado Goys (@conza01)

Identidade visual e arte: Glaura Santos (@glaurasantos)

Fotos e vídeo: Vitor Vieira (@vitorvieirafotografia)

Colaboração: Suacompanhia (@suacompanhiateatro)

Realização: Comcultura (www.comcultura.com.br)


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