Com o cineasta HELVÉCIO RATTON, 

com a participação especial da psicanalista Malvina Muszkat.

O episódio #9 do almasculina” traz uma conversa com o cineasta Helvécio Ratton(@quimera.filmes) sobre cinema nacional, paternidade, equidade de gênero, ditadura, racismo… Sempre relacionados à suas visões sobre as masculinidades.

A psicanalista Malvina Muszkat (@malvinamuszkat) é a nossa convidada no “Lugares Comuns”, quadro que dá voz a especialistas, gente que pesquisa e entende muito do assunto, explicando termos, conceitos e ampliando a nossa visão sobre tópicos mais específicos.

Ouça aqui o episódio na íntegra:

– Assista trechos inéditos da conversa com Helvécio Ratton no nosso canal no Youtube

ASPAS

“Diálogos Contemporâneos sobre homens negros e masculinidades”, Caio César no livro organizado por Henrique Restier e Rolf Malungo de Souza

“No Brasil foram incorporadas muitas ideias e políticas vindas dos Estados Unidos. O racismo é um sistema institucional e estruturante que age de formas diferentes na sociedade, atingindo níveis distintos, em escalas diversas, a fim de diminuir a população negra e marginalizá-la de todas as formas possíveis. Assim como houve no hemisfério norte um processo de criminalização do homem negro, por aqui esta prática também se deu em vários níveis, inclusive na questão sexual (…) A construção da imagem, uma das artimanhas do racismo para nos diminuir e nos tirar o direito de sermos vistos como homens. O homem negro, ao olhar do mundo branco, passa a ser somente um pênis, que serve para ser usado e descartado ao bel prazer de quem não nos confere nenhuma dignidade. As suposições sobre ‘sexo bom’ ou sexo violento e viril nada mais são do que o racismo entranhado em um sistema que hierarquiza raças. Não somos vistos como bons pais, bons maridos, alguém para construir família e depositar confiança. O olhar do mundo sobre nós é que somos malandros e vagabundos”. 

ESCUTA AQUI

Helvécio Ratton citou a canção de Gilberto Gil, “Super Homem”; e indicou o clássico da literatura brasileira “Grande Sertão:Veredas”, de João Guimarães Rosa;

Paulo Azevedo indicou conhecer a filmografia do cineasta Helvécio Ratton, listada no site da sua produtora, Quimera Filmes

LUGARES COMUNS com a psicanalista Malvina Muszkat 

Paulo Azevedo: “Você acha que o corpo do homem é muito impregnado de tabus? E de que forma estes tabus interferem na própria construção dos afetos dele? Por exemplo, tem essa história do tamanho do pau, essa mítica relação com o pau que os meninos se comparam ‘o fulano tem mais pelo, menos pelo; mais forte do que eu…’. O quanto isso isola esse corpo do homem com ele mesmo?”

Malvina Muszkat: “Mas os tabus não são só pro corpo masculino, né? Os tabus fazem parte justamente deste processo de subjetivação que são os preceitos que são introjetados e que começam a fazer parte da nossa subjetividade, quer dizer, em algum momento da vida, na adolescência, seria um momento onde a gente teria a possibilidade de rever estes preceitos que nos são inoculados porque eu acho que é inoculado mesmo. Buscar nossa singularidade, nos sentir com o direito de sermos diferentes, sem sermos marginais. Então, os tabus e os mitos eles servem, e as piadas até, servem pra ratificar o que se espera dos corpos. Agora, tanto faz. Estou falando de corpos em geral. Existem tabus sobre corpos, processos de iniciação sobre corpos, quer dizer, nas tribos é bastante comum os rituais de iniciação, dependendo do corpo. Algumas tribos aceitam bem a homossexualidade, algumas não. Mas, todos estes aspectos ritualísticos, os tabus… A homofobia é um tabu, não é? Os mitos, as ordens, quer dizer, nos somos bombardeados de todos os lados para crer que é assim que nos devemos ser. É que eu sinto que os homens estão com muita culpa e isso é muito ruim porque eu penso que essa reflexão não é pra ser feita com culpa. É pra ser feita com curiosidade, com desejo, com alegria. ‘Ah, eu posso fazer coisas diferentes!’. Porque até agora o homem era engessado. Você tem que reorganizar a tua cabeça e repensar todos os teus símbolos e começar a poder ser singular. O homem nunca pode ser singular porque a singularidade sempre foi entendida como excesso de feminilidade, de ternura, entendeu? Então, eu acho que esse trabalho aqui, eu estou aqui e admiro este trabalho porque ele se propõe a uma reflexão, mas não a um processo de mea culpa porque não é por aí que a gente faz as diferenças, que não é por aí que a gente cresce”.


almasculina é feito por:

Idealização, produção, roteiro, edição e apresentação: Paulo Azevedo (@pauloazevedooficial)

Trilha sonora original, gravação e mixagem: Conrado Goys (@conza01)

Identidade visual e arte: Glaura Santos (@glaurasantos)

Fotos e registro em vídeo: Vitor Vieira (@vitorvieirafotografia)

Colaboração: Suacompanhia (@suacompanhiateatro)

Realização: Comcultura (www.comcultura.com.br)


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