por Paulo Azevedo, do podcast @almasculina
fotos @vitorvieirafotografia

De onde viemos? Pra onde iremos? Talvez sejam as perguntas mais comuns de todos os humanos, certo? Aliás, essas questões sem respostas estão presentes em cada instante de nossas vidas… Ao menos, deveriam, não? Há uma fase da infância, por volta dos 7 anos, na qual tudo é motivo pra pergunta, lembra? “O que é isso? Pra quê serve aquilo? Como eu nasci?”

Tenho um apreço maior pelas perguntas, esse espaço aberto, sabe? É como criar um novo sentido pra coisas ou reafirmá-las, tipo os “três pontos” no final de uma frase poética… Ou quê? Agora que você leu este signo, a “?”, parece começar a gostar de olhar ao redor e perceber que muitas coisas estão aí e você nem se dava conta, não? Toparia parar de ler um pouco essas palavras e ver o seu entorno? 

É bom, não acha? Quem questiona parece criar um certo incômodo no que é dado, contestar as regras e normas… Crescemos cercados de tantas afirmações: homem é assim, mulher é assado, “é porque é”, quem nunca ouviu isso?

Este espaço que você lê na sua tela nasceu assim de uma inconformidade para gerar ideias, reflexões, conversar com você, percebe? Ainda não convenceu? Pense: onde estaríamos agora se, milhares de anos atrás, os seres humanos não tivessem se ousado sair das cavernas? E se não tivéssemos inventado a linguagem e todos os signos que nos permitem dialogar? Como seria se ainda pensássemos que nossas diferenças são maiores do que nossas similaridades? 

Certos padrões… Para quem?

Se você refletir bem, vai perceber que é cercado de privilégios: provavelmente ver, ouvir, saber ler, teve acesso à educação e à internet (cerca de 70 milhões de pessoas no Brasil nunca entraram na rede ou tem acesso precário) … Já imaginou? Muitos direitos que você tem hoje, você sabe quem lutou por eles?

Hoje é inconcebível acreditar que as mulheres não votavam, muitas não trabalhavam e ainda hoje sofrem na luta por um espaço, pode? Aliás, se não fossem elas, décadas atrás, será que os homens iriam começar a se indagar? “Os esforços feministas pelo fim da violência de homens contra mulheres devem ser estendidos a um movimento pelo fim de todas as formas de violência”, disse Bell Hooks, uma das mais importantes intelectuais norte-americanas e feministas negras da atualidade, no livro “O feminismo é para todo mundo – Políticas Arrebatadoras”, já leu?

Mas não é essa uma utopia que contempla a todos? Como qualquer articulação, o feminismo tem seus pontos críticos, muitos revistos e em permanente construção, como nós, não? Mas a quem interessaria o contrário do que elas nos propuseram? Mesmo tendo sido condicionados à um sistema sexista, quanto tempo ainda levaremos pra tomar consciência? O que você tem lido nos noticiários? Por trás dos nossos grandes problemas, não está algo pautado pela dominação e discriminação de gênero? Aliás, se você continuar lendo, é porque quer rever certos padrões, certo?  

Capa “O Feminismo é para Todo Mundo” / Créditos: Editora Rosa dos Tempos/divulgação.

O que elas estavam pensando? 

E quem seriam os principais interessados e também agentes desse sistema social? Esse tal de Patriarcado, um modus operandi na qual os homens mantêm o poder e autoridade sobre os demais, já ouviu falar? Independente do gênero, ele está aí há milênios… Não seria esse o maior responsável pelo momento no qual o mundo está passando? Gosta de história? É só voltar um pouco, algumas décadas pra ver que muita gente tentou, à sua maneira, mudar seu tempo… Que risco, não? Nadar contra a maré, ultrapassar a linha comum aos demais, desobedecer… Loucura em um mundo pautado pelo egocentrismo, pensa? Será que é empatia um dos nomes para investir seu tempo e energia pelo bem comum, para abrir caminhos futuros? 

E de novo, quem na linha de frente? Não foram elas, mulheres de todas as raças, classes e orientações sexuais nos lembrando que a solidariedade não seria uma aposta melhor que o racismo, o machismo e a homofobia? Não estou aqui pra romantizar o passado, nem ignorando os problemas desse movimento, percebe?

Mas que tal conhecer melhor antes de estigmatizar e reforçar preconceitos? Já viu o documentário “Feministas: O que Elas Estavam Pensando?”, disponível na Netflix, no qual resgatam os relatos de mulheres registradas pela fotógrafa Cynthia MacAdams nos anos 70? Quer apostar que, ao assistir, vai reconhecer histórias próximas de mulheres da sua família?

Trailer do documentário “Feministas: O Que Elas Estavam Pensando?” / créditos: Netflix / divulgação.

Não seria melhor escutar? 

E por quê estou falando delas? Se já ouviu o podcast almasculina, tenho uma família de mulheres marcantes, criado por 3 pedagogas (mãe e duas irmãs), lembra? Imagine uma educação com espaço para a sensibilização, a mesma que provocou tantas articulações de homens pelo mundo? Duvida que ela dá mais chances para suportar o mundo, entender que masculino e feminino são territórios amplos, quase tão ilimitados quando o número de habitantes no planeta?

Lidar com a raiva e tristeza e tantas outras emoções que reprimimos é uma tarefa fácil diante dos acontecimentos? Imagine aqueles que nem sabem nomear esses sentimentos… Conhece alguém assim? Seria estar no mundo um exercício permanente de exercer a sua humanidade? Com todos paradoxos e complexidades que isso exige? Na suspeita, não seria melhor escutar? Olhar pra trás e aprender, especialmente, com quem sofreu algum tipo de opressão? Com quem teve (e tem!) a coragem de se expor e enfrentar injustiças?       

Não sabe o que fazer? Como agir? Quer uma pista pra mudar? Uma boa “arma”? “Se mulheres e homens querem conhecer o amor, precisamos aspirar ao feminismo. Porque sem o pensamento e a prática feministas não temos a base necessária para criar laços de amor”, bom começo nas palavras de Bell Hooks, não? Caberia aqui um ponto final? 

PS: Como agradecer a todxs que me enviaram dicas de obras relacionadas ao feminismo? Deixo aqui nos comentários um bom caminho para continuar a conversa…Bora lá?

Paulo Azevedo @pauloazevedooficial é ator e comunicador, idealizador do podcast almasculina.

Comments (1)
  1. Muito legal…estamos chegando perto de entender o conceito “somos iguais” e a caminho de entender o conceito “respeito “…

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