A crise da atenção
- Comcultura Comunicação e Cultura
- há 2 dias
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Por Paulo Azevedo (@soupauloazevedo)
A crise da atenção está mudando a forma como construímos confiança.
Tenho cada vez mais me perguntado se o maior desafio das lideranças hoje é, realmente, engajar as pessoas ou simplesmente conseguir a atenção delas.
Vivemos dizendo que as pessoas estão distraídas, mas talvez estejamos olhando para o ângulo errado.
O Work Trend Index 2025, da Microsoft, mostrou que um profissional é interrompido, em média, a cada dois minutos por reuniões, mensagens, e-mails ou notificações.
Questiono-me e também provoco: como construir confiança se quase nunca conseguimos oferecer presença?
E isso muda completamente a forma como lideramos.
Sempre digo nas minhas entregas com a ComCultura que as pessoas dificilmente lembram de todos os slides de uma apresentação, mas lembram de quem realmente estava presente enquanto falava.
No teatro, aprendi que atenção não se exige. Ela se conquista com trabalho, ferramentas e processo. E ela só é conquistada quando quem está no palco demonstra que também está atento à plateia.
Talvez seja essa a maior mudança que estamos vivendo.
Antes, bastava comunicar. Hoje, é preciso disputar atenção.
Eu acredito que existe um caminho melhor. Em vez de competir com as notificações, precisamos criar experiências que façam as pessoas esquecerem que o celular está no bolso, porque a atenção nunca foi apenas uma questão de foco; ela é uma demonstração de interesse.
Não existe confiança sem interesse genuíno pelo outro.
Talvez a pergunta que toda liderança devesse fazer não seja: "Como faço meu time prestar atenção em mim?"
Mas sim: "O que estou fazendo para merecer a atenção dele?"




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