top of page

As lições que o audiovisual pode nos dar

Atualizado: há 5 dias


Por Paulo Azevedo (@soupauloazevedo)


Em ano de Brasil no Oscar pelo 2º ano consecutivo, quero compartilhar um pouco do que aprendi nestes quase 30 anos no mercado audiovisual.


Como sempre falo nas consultorias e palestras pela ComCultura nestes 16 anos de atuação, a experiência de trabalho em um set de TV ou cinema traz muitos insights para melhoria das dinâmicas em qualquer área de atuação.


Mesmo que a hierarquia seja menos flexível no audiovisual que no teatro, por exemplo, ela deve estar sempre a serviço do bom funcionamento de todas as áreas. Autoridade é bem diferente de autoritarismo (e bem mais produtiva e criativa!). O bom líder de cada um dos departamentos (e são muitos!) é aquele que administra inteligências e promove um ambiente na qual cada um possa contribuir com seu talento, visão, história e possa acrescentar sua potencialidade e identidade ao projeto.


A paciência é a mestra maior. Para que você possa assistir um filme ou série no conforto do cinema ou da sua casa, foram necessários muitos anos de planejamento. Por exemplo, o último filme que protagonizei, “Sobreviventes” (2024), do saudoso amigo português José Barahona, levou quase 10 anos da ideia original até o lançamento/distribuição e inúmeras etapas envolvendo centenas de profissionais. A paciência também é fundamental, sobretudo para os atores, que esperam horas para a gravação de uma cena ou mesmo entre os inúmeros takes e mudança de ângulos de câmera. Nessas horas, autoconhecimento é o diferencial para saber como administrar sua energia em uma jornada que pode durar meses.



A flexibilidade é outro aprendizado que serve para qualquer profissional. Por maior que seja a organização, com comunicação e cronogramas detalhados, são inúmeras as variáveis para o bom funcionamento de um projeto. Do clima às questões de saúde, sem contar possíveis barulhos externos nas locações... Imprevistos sempre acontecem e são parte da vida. É mais produtivo focar nossa energia na qualidade da presença e experiência do que na nossa ilusão de controle sobre tudo. Mesmo porque um ator não tem controle absoluto sobre a forma como a cena está sendo registrada e muito menos se ela estará na versão/corte final. Quantas vezes não tive cenas cortadas ou takes que não entraram em favor do bom andamento do ritmo da história? 


Além disso, cada novo projeto, uma nova cultura, com novos profissionais, dinâmicas e diretrizes. O contato com diferentes realidades, não só relacionados às histórias representadas, me trouxe uma rica visão de mundo e uma experiência que ampliou meu olhar sobre o humano. O mundo é sempre bem maior e instigante do que imaginamos!


Tudo isso está mais relacionado aos bastidores. Mas ainda poderia compartilhar sobre os impactos econômicos e sociais, além do imensurável impacto simbólico da indústria audiovisual para a riqueza, potência e o fortalecimento da identidade de um país e sua cultura. Fica para um próximo post, ok? 


Me conte aqui qual foi o último filme ou série nacional que você assistiu e te marcou!


 
 
 

Comentários


bottom of page