Como manter o roteiro vivo?

Por Paulo Azevedo (@soupauloazevedo)
O ensaio não serve para eliminar o imprevisto.
Quem trabalha com teatro, audiovisual ou eventos ao vivo sabe disso muito bem: sempre haverá algo que o roteiro não conseguiu prever.
- Uma fala ganha outro tempo.
- A reação do público muda o ritmo.
- Uma transição precisa se desenrolar de outro jeito.
O ensaio não impede que essas mudanças aconteçam. Ele cria as condições para que o grupo consiga responder sem perder o sentido do que está construindo.
Levando esse ensinamento para o ambiente corporativo, vejo com frequência que muitas lideranças confundem planejamento com roteiro rígido. Criam um plano detalhado e passam a tratar qualquer mudança como ameaça, erro ou falta de controle.
O problema é que equipes treinadas apenas para obedecer ao plano travam justamente quando o cenário exige adaptação. Planejar bem deveria produzir o efeito contrário: dar repertório para decidir diante do novo.
Assim, antes de uma convenção ou de uma experiência com um time através da ComCultura, eu não preparo apenas o que será dito. Penso nas transições, nos diferentes caminhos que uma conversa pode tomar, no tempo disponível e naquilo que não se pode perder, mesmo que o formato precise mudar.
Afinal, existe uma diferença importante entre estar preso ao plano e estar preparado para o que o plano não previu:
- O primeiro busca controle.
- O segundo constrói coordenação, presença e confiança.
No teatro, é isso que permite à cena continuar viva. Nas empresas, é o que ajuda um time a mudar de caminho sem perder o propósito.
Na sua equipe, o planejamento aumenta a capacidade de resposta ou cria medo de sair do roteiro?





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