Criar a identidade de um time

Por Paulo Azevedo (@soupauloazevedo)
Se você lida com fusões ou reorganizações de equipes, repare bem nisso: o organograma muda em um dia. A identidade do time, não.
Já cheguei a encontros em que todas as pessoas pertenciam oficialmente à mesma estrutura, respondiam à mesma liderança e perseguiam a mesma meta. Porém, quando começavam a conversar, apareciam duas palavras que diziam muito: “nós” e “eles”.
- Nós, da antiga área.
- Eles, do outro time.
- Nós fazíamos assim. Eles chegaram depois.
Isso nem sempre é resistência ou falta de boa vontade. Muitas vezes, é apenas o sinal de que a estrutura mudou antes que as pessoas tivessem tempo e espaço para compreender o que essa transformação significava.
Uma reorganização altera caixas, cargos e fluxos, mas também mexe com histórias, vínculos, referências e formas de pertencimento. E, quando tentamos acelerar a integração apagando tudo o que existia antes, corremos o risco de criar um novo nome sem construir um novo “nós”.
Na minha experiência com times, integrar não significa pedir que todos esqueçam de onde vieram, e sim criar condições para que o grupo reconheça:
- O que vale preservar das histórias anteriores.
- O que precisa ser deixado para trás.
- E o que só poderá existir a partir da construção conjunta.
É por isso que, antes de qualquer ação da ComCultura em contextos de mudança, procuro entender as narrativas que já circulam naquele grupo.
Que símbolos importam? Que decisões ainda geram desconforto? Que memórias ajudam, ou dificultam, a relação entre as pessoas?
Afinal, um novo time só começa a nascer quando as pessoas conseguem elaborar a transição e participar da criação da identidade que virá depois. A liderança tem um papel essencial nesse processo: não fingir que a mudança já terminou só porque o desenho foi aprovado.
Se a sua empresa redesenhou a estrutura, que espaço criou para o seu time redesenhar a própria identidade?
Quero muito te ler e saber o que você pensa sobre esse assunto nos comentários.





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