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Liderança e a prática de humanidade


Por Paulo Azevedo (@soupauloazevedo)


Fico me perguntando: quantas horas já foram investidas em treinamentos de liderança e quantas dessas horas mudaram algo, de verdade, no dia seguinte dentro da empresa?


Não é uma crítica. É uma observação de quem entra nas empresas antes e depois desses momentos.


O mercado de desenvolvimento de liderança movimenta mais de 60 bilhões de dólares por ano globalmente, segundo artigo publicado na Harvard Business School.


É um número impressionante para um problema que, nas salas onde entro, continua presente: times que não confiam nos seus líderes. Líderes que não sabem o que acontece de verdade com o time.


Vivenciei isso de perto. Não só nas ações que conduzo pela ComCultura, mas sendo dirigido em 25 anos de palcos e sets de filmagem. No teatro, autoridade não se declara. Se constrói. Não no discurso da estreia, mas nos ensaios, nos erros, na presença consistente quando ninguém está assistindo.


Sempre digo nas minhas consultorias que liderança não se aprende em palestra. Se aprende em presença.


O líder que aparece nos momentos difíceis, no atrito entre dois membros do time, na entrega que travou, na conversa que todos estavam evitando, é o que cria um ambiente de confiança real. Não porque se inspirou com palavras, mas porque esteve lá quando importava.


Não é raro ouvir nos briefings que o time "precisa de mais engajamento". E a solução que aparece, quase sempre, é mais um treinamento, mais um conteúdo, mais um dia fora do escritório. O que raramente aparece é a pergunta certa: o que está impedindo a conexão real entre esse líder e esse time?


Na minha experiência, o problema quase nunca é falta de conhecimento de liderança. É falta de prática de humanidade.


Você se lembra de um líder que te fez querer dar o melhor, não por obrigação, mas por escolha? O que ele ou ela fazia diferente?


 
 
 

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