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O papel da plateia na construção da história

há 8 horas
2 min de leitura

Por Paulo Azevedo (@soupauloazevedo)


A plateia não é o intervalo entre duas falas do palco.


Ela não está ali apenas para receber informações, aplaudir no momento certo e esperar o próximo nome ser anunciado.


Ainda assim, vejo muitos eventos corporativos construídos dessa forma: uma sequência de apresentações importantes, conduzidas por profissionais competentes, mas diante de um público que vai se afastando aos poucos.


Primeiro, alguém olha o celular. Depois, as conversas paralelas aparecem. E, quando menos esperamos, a mensagem continua no palco, mas já não encontra quem deveria recebê-la.


Minha trajetória como ator e diretor me ensinou que o público nunca é apenas um conjunto de cadeiras ocupadas. A presença dele muda a cena:


- Uma reação altera o tempo de uma fala. 

- Um silêncio pede outra condução.

- Uma pergunta pode abrir um caminho que não estava previsto no roteiro.


Levo esse mesmo olhar para as ações que conduzo com as atividades “+Que MC” e “Roda + Que Viva”, da ComCultura.


Às vezes, devolver protagonismo à plateia começa com uma pergunta bem construída. Em outros momentos, com uma história da própria empresa, uma interação conduzida com segurança ou uma mudança de ritmo que aproxima o conteúdo da realidade de quem está ouvindo.


Inclusive, em uma das inúmeras convenções que conduzi ao longo dos anos, a equipe técnica de uma grande corporação me disse algo que guardo até hoje: “Foi a primeira vez que os participantes não ficaram olhando para o celular durante o evento inteiro”.


Não interpreto isso como um elogio ao meu talento e trabalho, mas como resultado de um encontro em que o público não foi tratado como espectador passivo. As pessoas se reconheceram na narrativa e perceberam que a presença delas também fazia parte do que estava acontecendo.


A partir dessa experiência, queria deixar o seguinte insight para você que é uma liderança: zelar pela participação não é interromper a programação para fazer uma dinâmica solta. É pensar, desde o roteiro, qual lugar a plateia ocupa na construção de sentido.


No próximo evento da sua organização este fim de ano, pense: o público estará apenas assistindo ou também ajudará a construir a história?


 
 
 

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