Que tipo de relação a nossa forma de trabalhar torna possível?

Por Paulo Azevedo (@soupauloazevedo)
Conexão no trabalho não é benefício. É infraestrutura.
Um dado recente da Organização Mundial da Saúde (OMS) acendeu um alerta difícil de ignorar: uma em cada seis pessoas no mundo é afetada pela solidão.
O relatório associa esse isolamento a mais de 871 mil mortes por ano.
Para somar a este cenário, o Gallup trouxe outro recorte alarmante: apenas 20% dos profissionais se sentem engajados no trabalho: o menor índice registrado desde 2020.
O custo global desse desengajamento?
Cerca de US$10 trilhões em produtividade perdida.
Sei que são indicadores diferentes. Não se trata de uma relação simples de causa e efeito. Mas, juntos, eles nos obrigam a fazer uma pergunta incômoda:
Por que as empresas ainda tratam a qualidade das relações humanas como um assunto secundário?
Investe-se muito em sistemas, processos, metas e ferramentas. Mas quando os vínculos enfraquecem, a liderança tenta resolver com um evento isolado ou uma campanha interna de comunicação. Ações que não geram transformação real.
Encontros pontuais abrem frestas importantes. Mas nenhuma ação isolada sustenta uma cultura se, no dia seguinte, a empresa volta a premiar a pressa, o silêncio e a competição.
Isso não significa que a empresa seja responsável por solucionar a solidão individual de ninguém.
Significa reconhecer que cada reunião, onboarding, decisão e ritual cria (ou destrói) as condições para que as pessoas:
- Peçam ajuda sem medo;
- Discordem com segurança psicológica;
- Sejam percebidas para além do crachá.
Pra mim, a pergunta central sobre cultura não deveria ser: “Como engajar as pessoas?”.
Deveria ser: “Que tipo de relação a nossa forma de trabalhar torna possível?”
Deixei os links das pesquisas nos comentários. Vale muito a leitura.
Me conte: Como a sua empresa tem cuidado da "infraestrutura" das relações por aí?





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