top of page

Você sabe escutar e receber feedback?

Por Paulo Azevedo (@soupauloazevedo)


A maioria das empresas busca treinamento de como dar feedback. Poucas oferecem treinamento de como receber.


Ao longo da minha carreira, pude perceber que, cada vez mais, um bom líder sabe que o “feedback” é um dos pilares que sustentam todos os valores do negócio. Assim como coragem, protagonismo, confiança, credibilidade… Tudo isso nasce das relações no ambiente de trabalho.


Quando se trata de líderes e liderados, vejo que a mudança real acontece de “cima pra baixo”, sobretudo pelos exemplos e pela postura. É o popular “walk to talk”, ou seja, fazer o que se fala. Vivenciei isso de perto, não só nas consultorias que ministro por meio da ComCultura, mas também sendo dirigido nos palcos e sets de filmagem.


O líder que pede feedback ao time e fica na defensiva na primeira crítica ensina que honestidade não é segura. Além disso, revela uma liderança pautada em valores ultrapassados, como o autoritarismo x autoridade.


Autoritarismo é uma herança cultural na qual “manda quem pode, obedece quem tem juízo”. A ameaça acima da relação. A autoridade é sobre respeito e admiração. É construída por meio do conhecimento, experiência e respeito.


Diante desse cenário, vejo o quanto as avaliações de desempenho ajudam no processo de dar e receber feedback, mas não podem ser as únicas ações pontuais para conversas difíceis entre líderes e times. Sempre digo que o líder do futuro é aquele que administra “inteligências” e confia nas competências de cada um. E, sobretudo, que entende que um cargo não dá as ferramentas necessárias.


É preciso, constantemente, aprender a ser aberto e ter consciência de que todos temos pontos cegos. Quanto mais alto o cargo, maior a chance de se distanciar da realidade dos colaboradores (e também dos clientes!), mesmo porque a ideia de onipresença sobre todas as etapas do processo é irreal e desgastante.


Quer ser um líder que sabe não só dar, mas também receber feedback?


Primeiro: pense em eliminar as barreiras que existem entre você e seu time.


Como diz a pesquisadora americana Brené Brown, uma das referências do meu trabalho: é preciso “sentar no mesmo lado da mesa”. Comece pelos pontos fortes. Isso ajuda a considerar as qualidades positivas e abre a escuta para os pontos a serem trabalhados.


Segundo: estimule seu time a se arriscar mais para alcançar as metas. Além disso, ajude seu time a reconhecer a diferença entre vergonha e culpa. Perceba se sua presença gera desconforto no time e não tenha medo de ouvir os porquês. Procure os liderados mais próximos para iniciar essa conversa.


Pedir e receber feedback é muito mais sobre se desarmar e perceber que existe mais espaço para a evolução e se comprometer a melhorar. É uma habilidade fundamental para o crescimento de qualquer profissional. O outro pode ser um espelho valioso na sua evolução. Pense nisso.


📸 Wallace Nogueira

 
 
 

Comentários


bottom of page